Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 19 de junho de 2023 · 2 min de leitura ·

Missão cumprida: ‘aquanauta’ bate recorde vivendo 100 dias debaixo d’água

Missão cumprida: ‘aquanauta’ bate recorde vivendo 100 dias debaixo d’água

Em 1º de março deste ano, conforme noticiado pelo Olhar Digital, um ex-mergulhador da Marinha dos EUA embarcou em uma missão ousada debaixo d’água: viver em uma caixa de 10 m2 a quase 7 metros de profundidade durante 100 dias.

Ao atingir a meta, no dia 9 de junho, Joseph (Joe) Dituri bateu o recorde de maior tempo em um habitat submerso em água (estabelecido por ele mesmo, durante a experiência, no dia 13 de maio, quando ultrapassou a marca de 73 dias alcançada pelos mergulhadores Jessica Fain e Bruce Cantrell no mesmo local, segundo o Guinness World Records).

Especialista em engenharia biomédica, Dituri conduz pesquisas sobre os efeitos provocados no corpo humano pela pressão hiperbárica – quando a pressão do ar é maior do que seria ao nível do mar. Com a missão Neptune 100, ele pretendia usar o tempo de permanência abaixo da superfície para analisar o impacto que a vida nesse ambiente de alta pressão teria em sua saúde.

Mas, isso não seria como viver em um submarino? Curiosamente, não. Conforme explica Bradley Elliott, professor sênior de fisiologia da Universidade de Westminster, no Reino Unido, em um artigo publicado no site The Conversation, os submarinos são selados quando submersos e mantidos à pressão do nível do mar, o que significa que não há diferença significativa na pressão, mesmo quando o veículo está a centenas de metros de profundidade.

Já o habitat subaquático de Dituri não tem escotilhas sólidas ou eclusas de ar entre o oceano e o espaço de vida seco, como em um submarino. Ou seja, o ar dentro de seu ambiente é espremido pelo peso do oceano, aumentando a pressão ao seu redor. A uma profundidade de 100 metros, a pressão do ar dentro desse habitat era cerca de duas vezes maior do que o que ele estaria acostumado em terra.

Como todo mergulhador certificado sabe, a pressão hiperbárica pode representar uma ameaça muito real para os seres humanos. Nossos corpos foram adaptados por gerações de evolução para as condições do nível do mar, onde os dois principais gases envolvidos na respiração (oxigênio e dióxido de carbono) são os únicos que cruzam livremente entre nossos pulmões e nosso sangue.

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