
A evolução da humanidade ainda guarda alguns segredos. Por exemplo, como os nossos antepassados conseguiram migrar da África para a Europa? A paisagem desértica no nordeste africano e no Oriente Médio, caminhos obrigatórios para se chegar ao continente europeu, é impiedosa, com comida e água sendo escassas na região. Mas pesquisadores da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, podem ter uma resposta para a questão.
Sabemos que há períodos recorrentes em que o clima no Saara muda. Chamamos o fenômeno de “Saara Verde” ou “Períodos Úmidos Africanos”. Durante um período verde, o deserto encolhe significativamente e se transforma em uma paisagem que se assemelha às savanas que conhecemos da África Oriental hoje.
De acordo com o trabalho, esse fenômeno pode ter atingido o pico justamente há cerca de 2,1 milhões de anos, possibilitando que o Homo erectus viajasse pela região sem maiores problemas.
Os pesquisadores destacam que o Saara experimenta alternâncias significativas de clima a cada 20 mil anos, passando de grandes períodos de seca para estações chuvosas. O grau de umidade na região varia, mas o estudo indica que ele estava bastante alto no período de tempo em que houve a migração dos nossos antepassados.
Os autores da pesquisa usaram amostras de núcleo do Mar Mediterrâneo para projetar como era o clima há milhões de anos. Camadas de sedimentos do solo sopradas pelo vento são formadas no fundo do mar com o passar do tempo, oferecendo um verdadeiro mapa das mudanças climáticas no período.
Um desses marcadores de tempo é a cera que as plantas usam para proteger suas folhas. As moléculas de hidrogênio presentes nelas podem ser usadas para determinar os níveis de precipitação na época.
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