
Um artigo publicado na revista científica Nature Communications descreve um estudo que usou dados da sonda Galileu, da NASA, para analisar as imensas dunas sinuosas presentes na lua de Júpiter Io. Segundo essa nova abordagem, esses montes da lua supervulcânica não foram criados pelo vento, mas por fluxos de lava sob a superfície.
Io, que é a terceira maior lua de Júpiter e a mais interna dos quatro grandes satélites galileanos, tem uma superfície gelada toda sinuosa que há muito tempo vem intrigando a comunidade astrofísica.
Galileu, a missão que explorou o sistema Júpiter de 1995 a 2003, forneceu imagens necessárias para criar os primeiros mapas detalhados das luas daquele planeta. E foram esses dados que a equipe de pesquisa usou para entender melhor os processos físicos que controlam o movimento dos grãos de areia em Io.
“Nossos estudos apontam para a possibilidade de Io como um novo ‘mundo das dunas'”, disse George McDonald, primeiro autor do estudo e astrônomo da Universidade Rutgers, em Nova Jersey, EUA, em um comunicado. “Propusemos, e testamos quantitativamente, um mecanismo pelo qual os grãos de areia podem se mover, e por sua vez as dunas podem estar se formando lá”.
Por natureza, as dunas são definidas como colinas ou cumes de areia empilhados pelo vento. No entanto, a atmosfera de baixa densidade da lua Io indica que os ventos são fracos, sugerindo que suas dunas devem ser formadas por outros meios.
“Este trabalho nos diz que os ambientes em que as dunas são encontradas são consideravelmente mais variados do que as paisagens clássicas e intermináveis do deserto em partes da Terra ou no planeta fictício Arrakis, no filme Duna”, disse McDonald.
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