
Novas observações dos anéis externos de Urano indicam que o sistema do planeta pode abrigar mais luas do que as 29 já conhecidas. Os dados revelam características ainda mais enigmáticas dessas estruturas e sugerem que pequenos satélites naturais, ainda não identificados, podem ser responsáveis pela formação de parte dos anéis.
Os resultados apontam que as partículas que compõem os dois anéis mais externos de Urano têm origens distintas e provavelmente são geradas por pequenas luas com naturezas diferentes. Além disso, há indícios de que existam outros corpos ainda não descobertos orbitando o gigante de gelo.
Ao combinar dados infravermelhos do Telescópio Espacial James Webb com observações anteriores do Hubble e do Keck, uma equipe liderada por Imke de Pater, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), conseguiu produzir o primeiro espectro completo de refletância dos anéis — ou seja, a forma como refletem a luz solar. Os resultados confirmaram as diferenças de cor e forneceram pistas sobre suas origens.
“Ao decodificar a luz desses anéis, podemos rastrear tanto a distribuição do tamanho de suas partículas quanto sua composição, o que lança luz sobre suas origens, oferecendo novas perspectivas sobre como o sistema uraniano e planetas semelhantes se formaram e evoluíram”, afirmou de Pater em comunicado.
As luas de Urano recebem nomes de personagens das obras de William Shakespeare e de um poema de Alexander Pope, tradição iniciada por John Herschel. Cinco delas — Miranda, Oberon, Titania, Umbriel e Ariel — são maiores e orbitam mais distantes do planeta, enquanto outras 14 luas menores orbitam regiões mais próximas, onde também se encontram os anéis mu e nu.
O espectro de refletância indica que o anel mu é composto principalmente por partículas de gelo de água. Essa característica é semelhante à do anel E de Saturno, que também apresenta coloração azulada e é formado por material expelido por atividade criovulcânica na lua Encélado.
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