
Um dos maiores ambientalistas dos últimos 50 anos e grande aliado do Brasil no que tange à conservação ambiental, Thomas Lovejoy, morreu na noite de Natal (25), aos 80 anos. De acordo com sua filha, Elizabeth, a causa da morte foi o avanço de “tumores neuroendócrinos pancreáticos”.
Lovejoy era mundialmente conhecido por ter criado o conceito de “biodiversidade”, um termo que, hoje, define um campo incrivelmente amplo de estudos científicos voltados à conservação de animais e vida vegetal em vários ambientes. A maior parte de seu trabalho, contudo, concentrou-se no Brasil, onde ele lutava junto com organizações ambientalistas locais para promover a preservação da floresta amazônica.
“Ele realmente colocou a Amazônia no mapa da conservação internacional”, disse ao New York Times o doutor Russell Mittermeier, diretor da organização Re:wild. “Quando toda a conversa sobre a conservação começou, lá nos anos 1960 e 1970, a América do Sul quase não tinha o foco de ninguém, mas Tom mudou isso”.
Muitas plataformas ambientais que hoje são “lugar comum” foram criadas ou pelo menos conceitualizadas por Lovejoy. Um bom exemplo disso é a invenção do “débito pela natureza”, uma política amplamente usada em vários lugares e que permite que países do mundo consigam anistia de parte de suas dívidas internacionais em troca de investimentos em esforços de proteção ambiental.
Em seu trabalho mais recente, segundo o Estadão, ele atuou em parceria com o engenheiro e meteorologista Carlos Nobre, cientista climatológico do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA). O resultado dessa relação foi a identificação do “ponto sem retorno” da Amazônia, ou seja, um estado onde o dano à vegetação sul-americana será tão grande que, independente de qualquer empenho posterior, ele nunca mais poderá ser compensado.
“As florestas continuam a desaparecer — cortadas e queimadas em pequenos pedaços de terra. Essa falha desafia os nossos esforços climáticos pois, a não ser que as florestas tropicais se mantenham de pé, o mundo nunca vai conter o aquecimento global”, Lovejoy escreveu em um artigo assinado publicado pelo New York Times em novembro de 2021.
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