
Um novo estudo revela que o enfraquecimento da Circulação Meridional do Atlântico (AMOC, na sigla em inglês) — uma das maiores correntes oceânicas da Terra — pode gerar secas nas principais florestas tropicais do planeta. Publicada nesta semana na revista Nature, a pesquisa analisou 17 mil anos de dados climáticos para estimar os impactos globais de uma AMOC mais fraca.
A Circulação Meridional do Atlântico é um enorme sistema de correntes oceânicas que transporta água quente e salgada das regiões tropicais para o norte do Atlântico. Funciona assim:
Sem a circulação de água quente da AMOC, regiões da América do Norte e Europa seriam muito mais frias. É a corrente que garante um clima mais ameno. Ela também preserva o funcionamento do cinturão de chuva tropical — uma faixa estreita de fortes precipitações perto da linha do Equador que mantém as florestas da região vivas e pujantes.
Pesquisas anteriores já apontavam sinais de desaceleração da AMOC. Um eventual colapso desse sistema poderia ter efeitos devastadores para o planeta, desencadeando mudanças climáticas profundas e potencialmente irreversíveis.
No novo estudo, os pesquisadores analisaram dados de clima e precipitação obtidos a partir de registros preservados em cavernas, sedimentos lacustres e marinhos. Com essas informações, eles simularam os efeitos do enfraquecimento da AMOC. Conforme os resultados, os impactos seriam:
Em um comunicado, o líder do estudo Pedro DiNezio, professor associado da Universidade do Colorado, revelou que os impactos podem ir além das secas. A floresta amazônica concentra quase dois anos de emissões globais de carbono, sendo um grande depósito de carbono na Terra, segundo um estudo de 2024.
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