Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

Mudanças no interior de Marte levaram à perda de seu campo magnético, diz estudo

Mudanças no interior de Marte levaram à perda de seu campo magnético, diz estudo

Marte não consegue sustentar água líquida em sua superfície, graças à finíssima atmosfera que sofreu com o fim do campo magnético do planeta vermelho há bilhões de anos. Mas nós nunca soubemos o motivo desse campo ter desaparecido — embora um novo estudo publicado na Nature Communications sugira uma explicação bem coerente.

Segundo o documento, mudanças intensas no núcleo de metal derretido de Marte fizeram com que o campo magnético enfraquecesse em um ritmo muito acelerado. Assim como na Terra, esse campo magnético protege a atmosfera de degradação. Uma coisa acabou levando à outra: com o enfraquecimento e eventual desaparecimento do campo magnético, a atmosfera de Marte foi ficando cada vez menos resistente e, hoje, ela é incapaz de “filtrar” a radiação do espaço e da luz solar, eliminando chances de suporte à vida na superfície.

Pesquisadores da Universidade de Tóquio, no Japão, simularam em laboratório as condições mais antigas do interior de Marte, usando amostras de materiais que eles julgaram serem encontrados nele — ferro, enxofre, hidrogênio, por exemplo — e posicionaram isso entre dois diamantes, comprimindo e aquecendo o conjunto a fim de recriar as pressões e calor imensos encontrados no núcleo.

Observando as alterações conforme elas ocorriam, a equipe descobriu que o material do núcleo, anteriormente homogêneo, começou a se separar em duas camadas líquidas distintas.

“Um dos líquidos ferrosos era rico em enxofre, enquanto, no outro, o hidrogênio era mais presente; e isso é essencial para explicar o nascimento e eventual morte do campo magnético de Marte”, disse o co-autor do estudo, Kei Hirose, que é professor no Departamento de Ciências Terrenas e Planetárias da universidade japonesa.

O estudo percebeu que a camada com hidrogênio, menos densa, subia mais que a camada com enxofre, o que gerou correntes de convecção parecidas com as da Terra — o consenso científico é o de que campos magnéticos planetários se formam assim. Até aqui, tudo em ordem.

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