Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de novembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Muito mais que sete irmãs: aglomerado das Plêiades pode revelar “família” 20 vezes maior

Muito mais que sete irmãs: aglomerado das Plêiades pode revelar “família” 20 vezes maior

Um estudo publicado nesta quarta-feira (12) no periódico científico The Astrophysical Journal revela que o famoso aglomerado das Plêiades – conhecido como as “Sete Irmãs” – pode ser apenas o núcleo de uma família estelar muito mais ampla. 

Segundo a pesquisa, conduzida por astrônomos da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill (EUA), esse grupo de estrelas é cerca de 20 vezes maior do que se pensava.

Usando dados combinados do Satélite de Pesquisa de Exoplanetas em Trânsito (TESS), da NASA, e do telescópio espacial Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA), os cientistas identificaram milhares de estrelas relacionadas às Plêiades espalhadas pelo céu. Essa estrutura estendida recebeu o nome de “Complexo das Grandes Plêiades”. De acordo com os pesquisadores, ela representa uma associação estelar em processo de dispersão.

A descoberta foi possível graças a uma nova técnica baseada na rotação estelar. Como as estrelas jovens giram mais rápido e as mais antigas mais devagar, a equipe usou essa diferença como indicador de idade. O método permitiu identificar estrelas que se formaram ao mesmo tempo, mesmo que hoje estejam distantes umas das outras no céu.

“Este estudo muda a forma como vemos as Plêiades – não apenas como sete estrelas brilhantes, mas como milhares de irmãs perdidas espalhadas por todo o céu”, afirmou Andrew Boyle, autor principal e pesquisador da UNC-Chapel Hill, em um comunicado. Ele explica que sua equipe uniu as medições de rotação do TESS aos dados de posição e movimento do Gaia para reconstruir a linhagem estelar.

As implicações dessa descoberta vão além da astronomia. As Plêiades têm grande importância cultural. Elas são mencionadas em textos bíblicos e no Talmude (uma coletânea central do judaísmo que reúne leis, tradições e comentários de rabinos), são celebradas na Nova Zelândia como Matariki, nome dado ao surgimento anual do aglomerado no céu que marca o Ano Novo maori, e também inspiram o logotipo da montadora Subaru, no Japão. Agora, a constelação ganha uma nova dimensão científica e simbólica.

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