
Um artigo recém-publicado na revista Nature Astronomy apresenta uma nova explicação para a evolução de exoplanetas rochosos extremamente quentes, conhecidos como “mundos de lava”.
Liderado por Charles-Édouard Boukaré, professor assistente no Departamento de Física e Astronomia da Faculdade de Ciências da Universidade de York, Inglaterra, o estudo propõe uma estrutura teórica simples para entender como esses planetas funcionam internamente e como suas atmosferas mudam com o tempo.
Segundo a pesquisa, esses mundos estão tão próximos de suas estrelas, em órbitas tão extremas, que enfrentam condições muito diferentes das existentes nos planetas rochosos do Sistema Solar, como a Terra ou Marte.
A equipe desenvolveu simulações para entender como esses mundos evoluem e como seu interior e a atmosfera interagem. Os pesquisadores descobriram que, apesar das condições extremas, os processos envolvidos lembram os que moldaram planetas como o nosso.
Os mundos de lava são geralmente do tamanho da Terra ou um pouco maiores e orbitam muito perto de suas estrelas,a ponto de completarem uma volta em menos de um dia terrestre. Assim como acontece com a Lua, eles estão presos por forças de maré, sempre mostrando a mesma face para a estrela-mãe. Isso faz com que o lado diurno seja extremamente quente, com temperaturas tão altas que derretem e vaporizam rochas, gerando mares de lava incandescente.
O estudo mostra que, nesses planetas, as rochas derretidas liberam elementos como ferro, silício e potássio, que passam por mudanças químicas ao interagirem com o calor e a atmosfera. O processo é parecido com uma destilação, em que cada elemento reage de forma diferente às altas temperaturas. Essa evolução química se mantém por bilhões de anos, moldando esses mundos aos poucos.
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