Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de fevereiro de 2022 · 2 min de leitura ·

NASA acredita que fumaça da erupção de Tonga foi a mais alta da história

NASA acredita que fumaça da erupção de Tonga foi a mais alta da história

A mesosfera é a terceira e mais fria das camadas que compõem a atmosfera da Terra, começando a 50 quilômetros (km) acima da superfície. E foi exatamente nela que chegou a fumaça gerada pela erupção de Tonga, em janeiro, segundo imagens via satélite recentemente divulgadas.

Especialistas afirmaram nas redes sociais que a explosão – advinda do vulcão submarino na ilha de Hunga Tonga–Hunga Haʻapai – expeliu fumaça e cinzas em uma coluna – ou “pluma” – que atingiu 58 km de altura. De acordo com a agência espacial estadunidense NASA, essa pode ser a maior já medida por satélite na história.

Já falamos sobre especialistas que comparam o episódio em Tonga com a explosão do vulcão Krakatoa, em 1883, onde 30 mil pessoas perderam suas vidas. A NASA conseguiu medir a erupção mais recente graças a dois satélites que – coincidentemente – passavam pela região na hora certa, produzindo imagens do evento em tempo real.

E como se chegar uma vez até a mesosfera já não fosse suficiente, a erupção de Tonga quase fez isso duas vezes: cerca de 30 minutos depois da primeira explosão, um segundo estouro expeliu uma segunda pluma de fumaça, cinzas e gás a 50 km de altura – chegando exatamente no marco que funciona com fronteira entre o seu limite com a estratosfera.

Alguns vulcanólogos afirmam que foi uma combinação de calor extremo do vulcão com a umidade do oceano que contribuiu para uma subida tão rápida da coluna: “É como se fosse um super combustível para uma mega tempestade”, disse Kristopher Bedka, cientista atmosférico da NASA. “A pluma subiu 2,5 vezes mais alto que qualquer tempestade elétrica já observada, e a erupção gerou uma quantidade incrível de relâmpagos”.

Há quem possa pensar que uma coluna de fumaça “é apenas fumaça”, mas cientistas repetidamente advertem do contrário: dentro uma erupção vulcânica, as partículas presentes em plumas que sobem à atmosfera contém elementos que podem refletir a luz do Sol, impedindo-a de chegar à superfície da Terra e, consequentemente, esfriando o planeta. Normalmente, isso acontece em caráter local – apenas a região da explosão é afetada -, mas historicamente, tivemos três períodos onde explosões muito próximas causaram o que se convém chamar de “mini era do gelo”: entre 1641 e 1642; entre 1667 e 1694 e entre 1809 a 1831.

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