
Após fornecer medições sem precedentes sobre a atividade sísmica em Marte e até imagens fascinantes (como a de um nascer do Sol), a sonda InSight está prestes a se aposentar. É o que revelam cientistas da NASA responsáveis pela condução da missão, que explora o Planeta Vermelho desde novembro de 2018.
Recentemente, o módulo de pouso detectou o maior abalo sísmico já registrado não só em Marte como em qualquer lugar fora da Terra: um “martemoto” de magnitude 5. Para os padrões terrestres, isso não seria grande coisa. Por aqui, tremores dessa intensidade ocorrem meio milhão de vezes por ano e raramente causam danos mais graves do que arremessar objetos das prateleiras ou rachar vidraças.
No entanto, imagens e detecções como essas, em breve, ficarão apenas na história. Isso porque a sonda InSight não suporta mais o acúmulo de poeira que tem se formado em seus painéis solares, perdendo gradativamente sua capacidade de captar energia.
De acordo com informações fornecidas pela agência espacial norte-americana durante uma entrevista coletiva concedida na quarta-feira (17), o módulo está operando abaixo de um décimo de sua potência disponível de 5.000 watts-hora por dia marciano (que é chamado sol e equivale a, aproximadamente, 24h39min).
“Quando pousamos, era cerca de 40 minutos a uma hora,o equivalente ao consumo de um forno elétrico convencional”, disse Kathya Zamora Garcia, vice-gerente de projetos da InSight no Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da NASA. “Agora, o InSight não consegue produzir mais de 500 watts-hora, nos permitindo trabalhar apenas por cerca de 10 minutos, no máximo”.
Entre outras conquistas, a missão permitiu aos cientistas conhecer limites precisos na espessura da crosta e no tamanho do núcleo, o que, para Bruce Banerdt, principal investigador da JPL, é um êxito coroante da missão.
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