Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

NASA encontra ‘pegadas aurorais’ nunca antes vistas de uma das luas de Júpiter

NASA encontra ‘pegadas aurorais’ nunca antes vistas de uma das luas de Júpiter

Um artigo publicado este mês na revista Nature Communications relata a primeira observação clara de Calisto, o segundo maior satélite natural de Júpiter, emitindo sinais de aurora. Com isso, os cientistas completam o registro das chamadas “pegadas aurorais” das quatro luas galileanas do planeta, que também incluem Io, Europa e Ganimedes.

Segundo a NASA, as luas galileanas são assim chamadas em referência a Galileu Galilei, que foi quem as descobriu em 1610. Cada uma delas se destaca por suas características únicas: Io é vulcanicamente ativa, Europa possui uma superfície de gelo com um possível oceano subterrâneo, Ganimedes é a maior lua do Sistema Solar, e Calisto, a mais distante, é coberta por crateras antigas.

Assim como a Terra, Júpiter apresenta auroras brilhantes em seus polos. No entanto, algo peculiar acontece com as luas galileanas, que não se observa no satélite natural do nosso planeta: elas interagem com o campo magnético do gigante gasoso, criando emissões únicas. Essas “pegadas aurorais” aparecem em diferentes comprimentos de onda, como ultravioleta, rádio e ondas de plasma, permitindo que os cientistas estudem como cada lua influencia a magnetosfera de Júpiter.

De acordo com um comunicado, o Telescópio Espacial Hubble, da NASA, já havia identificado sinais aurorais de Io, Europa e Ganimedes. A lua Calisto, porém, apresentava apenas indícios fracos. Sua emissão era muito tênue e, na maioria das vezes, se misturava à intensa aurora de Júpiter, o que dificultava a análise e impossibilitava caracterizar suas propriedades de forma completa.

Em órbita de Júpiter desde 2016, a missão Juno, também da NASA, oferece imagens sem precedentes das luzes polares do gigante gasoso. Para registrar as assinaturas aurorais de Calisto, a principal aurora oval do planeta deveria se deslocar enquanto a sonda estivesse fotografando os polos. Além disso, os instrumentos da espaçonave precisariam que ela passasse pela linha do campo magnético que liga Calisto a Júpiter, para conseguirem observar partículas, ondas e variações magnéticas geradas pela interação entre os dois corpos.

Essa combinação de fatores ocorreu durante a 22ª órbita, em setembro de 2019, quando um vento solar de alta densidade atingiu Júpiter e deslocou sua aurora oval em direção ao equador. Pela primeira vez, o evento revelou a “pegada auroral” de Calisto à sonda, que estava na posição exata e pôde ainda obter dados valiosos sobre a interação entre a lua e o campo magnético do planeta.

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