
O Telescópio Espacial James Webb capturou a visão mais detalhada já obtida do interior de uma galáxia. O objeto alvo é a galáxia Circinus, uma espiral localizada a cerca de 14 milhões de anos-luz da Terra. As imagens revelaram o disco interno de um buraco negro supermassivo no interior do astro.
As novas observações ajudam a esclarecer a origem do intenso brilho infravermelho observado em galáxias ativas e desafiam explicações aceitas há décadas. A análise indica que a maior parte da radiação infravermelha não é gerada por ventos ou fluxos de material sendo expelidos, como se acreditava, mas sim por um disco denso e compacto de gás e poeira que alimenta diretamente o buraco negro no centro da galáxia.
A equipe liderada por Enrique López-Rodríguez, da Universidade da Carolina do Sul, utilizou uma técnica avançada de alto contraste do James Webb para penetrar a espessa camada de poeira que envolve o núcleo da Circinus. É a primeira vez que esse modo de observação foi aplicado a uma fonte fora da Via Láctea.
O resultado é uma imagem que revela, com clareza sem precedentes, a região interna de um toro de poeira em forma de rosca, alinhado ao plano equatorial da galáxia. Manchas mais escuras indicam um segundo anel mais distante, que também circunda o buraco negro supermassivo.
Segundo os pesquisadores, a técnica empregada praticamente dobra a resolução do telescópio.
A análise dos dados mostra que cerca de 87% da emissão infravermelha vem da região mais próxima do buraco negro, concentrada no disco interno de poeira quente que funciona como reservatório de material. É esse disco que canaliza gás e poeira para o centro, sustentando o crescimento do buraco negro.
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