Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 21 de novembro de 2023 · 2 min de leitura ·

Nascem cada vez menos tartarugas marinhas machos; estudo aponta motivos

Nascem cada vez menos tartarugas marinhas machos; estudo aponta motivos

Tartarugas marinhas verdes, que estão em risco de extinção, sofrem não apenas com a caça e a degradação de seus habitats, mas também enfrentam uma ameaça mais sutil: a diminuição drástica do número de filhotes machos. Isso é resultado de uma combinação de fatores, desde a influência das mudanças climáticas até a exposição a poluentes.

Em locais como a Grande Barreira de Corais, ao largo da costa de Queensland, no nordeste da Austrália, a proporção entre machos e fêmeas está desequilibrada, com centenas de fêmeas para cada macho. Um desafio significativo para a continuidade da espécie.

A determinação do sexo das tartarugas é influenciada pela temperatura durante a incubação dos ovos. As mais altas favorecem o desenvolvimento de fêmeas. Além disso, pesquisas recentes apontam para outro fator: poluentes presentes no ambiente marinho.

Um estudo realizado na Ilha Heron, local de monitoramento de tartarugas marinhas verdes, espécie cientificamente chamada de Chelonia mydas, revelou uma conexão direta entre a exposição a poluentes e a tendência à geração de filhotes fêmeas. 

Metais pesados e poluentes orgânicos foram identificados nos embriões, resultando em um desequilíbrio na proporção de sexos na eclosão. De acordo com a pesquisa, descrita recentemente em um artigo publicado na revista Frontiers in Marine Science, estes contaminantes, conhecidos como ‘xenoestrogênios’, interferem nos hormônios femininos, afetando o desenvolvimento dos filhotes. 

O acúmulo desses poluentes nas fêmeas durante o período de forrageamento (busca por recursos alimentares) resulta na transferência dessas substâncias para os ovos, influenciando a proporção sexual na fase inicial de vida.

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