Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 29 de maio de 2026 · 2 min de leitura ·

Tecido que cresce fora do corpo é descoberto – e pode revolucionar a biomedicina

Tecido que cresce fora do corpo é descoberto – e pode revolucionar a biomedicina

Cientistas liderados pela Universidade Memorial de Newfoundland, no Canadá, descobriram que fragmentos de tecidos removidos de uma espécie de pepino-do-mar chamada Psolus fabricii conseguem sobreviver, se regenerar e crescer de forma independente por mais de três anos em água do mar natural. O estudo, publicado na revista científica Science Advances nesta semana, desafia os conceitos biológicos tradicionais sobre a mortalidade de tecidos descartados.

Batizados pelos pesquisadores de LiPfe, esses fragmentos representam o primeiro registro na ciência de tecidos animais que mantêm viabilidade de longo prazo e crescimento fora de um ambiente de laboratório estéril. A descoberta abre frentes na biomedicina, com potencial de aplicação em engenharia de tecidos, regeneração biológica e tratamentos de cicatrização antimicrobiana.

Durante os experimentos feitos com amostras retiradas dos pés tubulares, do corpo principal e dos tentáculos de três indivíduos da espécie de águas frias, os pesquisadores constataram a ocorrência de atividade imunológica, ciclo celular e reorganização tecidual. 

Devido à óbvia ausência de uma boca nos fragmentos isolados, as células demonstraram a capacidade de extrair energia do ambiente por meio da absorção de aminoácidos dissolvidos diretamente na água marinha.

O comportamento rompe com o padrão histórico das linhagens de células imortais utilizadas na ciência desde meados do século 20, como as células HeLa, que exigem meios rigorosamente controlados, artificiais e totalmente livres de bactérias para não apodrecerem. 

“A água do mar natural é praticamente a abordagem experimental menos limpa e biologicamente mais diversa que poderíamos adotar. Ainda assim, esse ambiente rico, cheio de bactérias e de toda essa matéria orgânica, estava na verdade alimentando-os e permitindo que esse tecido cicatrizasse e crescesse”, explicou a pesquisadora sênior Rachel Sipler, do Laboratório Bigelow de Ciências Oceânicas, em comunicado.

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