Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 27 de julho de 2022 · 2 min de leitura ·

Nova técnica ajuda a detectar exoplanetas ao redor de estrelas binárias exóticas

Nova técnica ajuda a detectar exoplanetas ao redor de estrelas binárias exóticas

Uma equipe de pesquisa formada por cientistas do México, EUA e Emirados Árabes descobriu uma nova técnica inovadora de observações astronômicas. Seu estudo, publicado recentemente no jornal Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, pode ajudar os astrônomos a detectar exoplanetas que orbitam sistemas estelares binários exóticos chamados variáveis cataclísmicas.

Tais sistemas compreendem duas estrelas que orbitam uma a outra tão de perto que o corpo maior transfere massa para seu companheiro menor. O material forma um disco de acreção fino e brilhante antes de ser sugado pela estrela receptora. No entanto, quando um terceiro corpo, como um planeta, está orbitando o par de estrelas, ele pode perturbar o fluxo desse material e alterar o brilho do disco. O novo método de detecção de exoplanetas depende dessa interrupção.

“Nosso trabalho provou que um terceiro corpo pode perturbar uma variável cataclísmica de tal forma que pode induzir mudanças no brilho no sistema”, disse o autor principal do artigo, Carlos Chávez, pesquisador da Universidade Autônoma de Nuevo León, no México, em um comunicado. “Essas perturbações podem explicar tanto os períodos muito longos observados – entre 42 e 265 dias – quanto a amplitude dessas mudanças no brilho”.

Desde a década de 1990, quando houve a primeira descoberta de um exoplaneta (como são chamados os planetas de fora do sistema solar), milhares deles foram encontrados ao redor de diversas estrelas. No entanto, conforme destaca o site Space.com, a maioria delas são bastante semelhantes ao Sol ou pequenas anãs vermelhas.

Para entender melhor as populações planetárias, os cientistas buscam métodos para detectar planetas ao redor de estrelas mais exóticas, como as variáveis cataclísmicas ou pulsares com seus feixes de luz brilhantes.

Geralmente, as variáveis cataclísmicas consistem em remanescentes estelares compactos, como estrelas de nêutrons super densas ou anãs brancas – o tipo de remanescente estelar quente que o Sol deixará para trás quando ficar sem hidrogênio e seu núcleo entrar em colapso, dentro de cerca de 5 bilhões de anos.

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