Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de março de 2023 · 2 min de leitura ·

Novo cometa promete espetáculo no céu

Novo cometa promete espetáculo no céu

Temos um novo cometa no céu. Descoberto no início do ano de forma indepentende pelos programas Tsuchinshan e ATLAS, o cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) por enquanto está distante e apresenta um brilho bem fraco, mas os astrônomos acreditam que ele deve estar visível a olho nu nos últimos meses de 2024 e talvez, ser o mais brilhante desde 2007, quando o Cometa McNaught (foto de capa) deu um verdadeiro espetáculo no céu.

Na noite de 22 de fevereiro de 2023, durante uma sessão de busca utilizando um dos telescópios do ATLAS na África do Sul, foi detectado um tênue objeto a 1,09 bilhões de km de distância, na direção da Constelação do Serpentário. Após os cálculos orbitais, percebeu-se que este era o mesmo objeto registrado no Observatório de Zijinshan, na China, no início de janeiro, mas como não houve nenhuma observação de rastreamento, ele foi removido da lista de objetos a confirmar e considerado perdido. 

Como as duas observações foram realizadas de forma independente, os dois programas de busca foram considerados co-descobridores do Cometa pelo Minor Planet Center (organização americana que centraliza os dados de asteroides e cometas descobertos no Sistema Solar), que deu a ele o nome de C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS). 

Depois disso, o cometa ainda foi encontrado em imagens do  Zwicky Transient Facility (ZTF) feitas no Observatório Palomar em 22 de dezembro de 2022. Com base nos dados captados pelo ZTF, foi possível determinar sua órbita com mais precisão e confirmar sua natureza cometária, já que as imagens mostraram o objeto com uma coma bastante densa e uma pequena e estreita cauda com um comprimento de apenas 10 segundos de arco.

Com base nos dados observacionais de um total de 74 dias, a órbita do Cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) foi calculada como sendo uma órbita hiperbólica e retrógrada, com inclinação de 139° em relação ao Plano da Eclíptica e com seu periélio (máxima aproximação do Sol) previsto para ocorrer em 27 de setembro de 2024, quando passará a cerca de 58,5 milhões de quilômetros do Sol.

A órbita retrógrada significa que o cometa se aproxima na direção contrária à direção em que os planetas orbitam o Sol. Já o termo hiperbólico, indica que a órbita deste cometa não descreve uma elipse e sim, uma hipérbole. Cometas com órbita hiperbólica normalmente têm origem na nuvem de Oort e fazem uma passagem única pelo Sistema Solar Interior,  sendo lançados para o espaço interplanetário após essa passagem. 

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