Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 13 de maio de 2024 · 2 min de leitura ·

Novo material pode retirar gases do efeito estufa da atmosfera

Novo material pode retirar gases do efeito estufa da atmosfera

Um grupo de pesquisadores conseguiu desenvolver uma molécula inédita que consegue absorver os gases do efeito estufa. O material poroso é descrito com uma “gaiola de gaiolas” e poderia ser usado para reter o dióxido de carbono e outros gases da atmosfera.

A pesquisa que descreve a sintetização do material em laboratório foi publicada na Nature Synthesis e conduzida por pesquisadores do Reino Unido e da China. A molécula é produzida em duas etapas, primeiro com reações que formam blocos de construção de prismas triangulares e depois se reúnem em gaiolas tetraédricas maiores e mais simétricas — segundo os pesquisadores essa é a primeira estrutura molecular do tipo.

A molécula que se forma é ótima em atrair e reter gases do efeito estufa, principalmente o dióxido de carbono. Além disso, o material se mostrou estável na água, o que permite que seja utilizado para capturar carbono em ambientes industriais através do fluxo de gases úmidos.

Algumas experiências conduzidas em laboratório também mostraram que a molécula é ótima para absorver o hexafluoreto de enxofre (SF6), o gás com efeito estufa mais potente, segundo o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas. O SF6 permanece na atmosfera por entre 800 a 3200 anos, em comparação com o CO₂  que fica entre 5 e 200 anos, ele é cerca de 23 500 vezes mais poluente quando calculado a permanência na atmosfera por 100 anos.

Apesar de ainda não ter sido testado em grande escala, se o novo material poroso poder tirar grande quantidade de poluentes na atmosfera, ou pelo menos impedir que mais desses gases vá parar nela, ele será o que necessitamos para controlar as alterações climáticas.

Estima-se que seja necessário retirar anualmente cerca de 20 bilhões de toneladas de CO₂ da atmosfera para que nossas emissões sejam anuladas. No entanto, atualmente apenas 2 bilhões de toneladas do gás são retirados do ar, a maioria por árvores e o solo e apenas 0,1% disso, cerca de 2,3 milhões de toneladas, por novas tecnologias.

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