Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 28 de julho de 2026 · 2 min de leitura ·

Nuvens de fogo: o fenômeno que transforma incêndios em tempestades

Nuvens de fogo: o fenômeno que transforma incêndios em tempestades

Durante os grandes incêndios que atingiram a França, os bombeiros enfrentaram um problema difícil de controlar: nuvens gigantes formadas pelo próprio calor das chamas. Essas tempestades podem criar ventos intensos, espalhar brasas e até gerar novos focos de fogo.

Chamadas de nuvens pirocumulonimbos, essas formações já são conhecidas em regiões como Portugal, Califórnia e Austrália. Na França, porém, ainda são consideradas uma ocorrência relativamente recente.

Tudo começa com o calor liberado por um grande incêndio. À medida que o ar quente sobe, ele carrega vapor de água para a atmosfera, dando origem inicialmente a uma pequena nuvem branca, semelhante a um cúmulo comum.

Com a intensificação do calor, essa estrutura cresce rapidamente e passa a concentrar milhares de toneladas de água suspensa. Quando as condições ficam favoráveis, surge uma nuvem cumulonimbo com formato semelhante ao de uma bigorna.

Nesse estágio, a formação pode produzir correntes de ar extremamente fortes, com ventos ascendentes superiores a 150 quilômetros por hora. A chuva até aparece, mas muitas vezes evapora antes de chegar ao solo. Mesmo assim, ela consegue resfriar a atmosfera e provocar correntes descendentes capazes de alterar o comportamento do incêndio.

Segundo o pesquisador francês Jean-Baptiste Filippi, especialista em incêndios florestais, esse tipo de situação exige novas formas de combate ao fogo.

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