Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

O aquecimento global afeta até mesmo as profundezas do oceano

O aquecimento global afeta até mesmo as profundezas do oceano

Nem mesmo as profundezas do oceano estão livres dos efeitos trazidos pelo aquecimento global. A afirmação vem de um novo estudo que considerou dados da Terra há 66 bilhões de anos em 293 regiões marítimas, que usou dessas novas informações para analisar a relação entre os variados graus de força das correntes mais profundas do mar e as mudanças de temperatura do planeta.

Spoiler: a descoberta não é nada boa. O estudo completo foi publicado no caderno científico Geology.

O método utilizado pelos pesquisadores se provou bem mais eficiente do que as imagens de satélite dos últimos 30 anos – o meio mais tradicional de se analisar o impacto do aquecimento global no chão oceânico – por oferecer não apenas muito mais informações, mas também uma precisão maior delas.

“Os dados de satélites normalmente usados para criar modelos oceânicos cobrem algumas poucas décadas, nos dando uma compreensão bem pobre de variação oceânica a longo prazo”, disse a geóloga especializada em sedimentações Adriana Dutkiewicz, da Universidade de Sydney, na Austrália. “Isso nos levou a procurar o registro geológico das profundezas para decifrar essas mudanças”.

Segundo ela, o time de pesquisadores descobriu que, nos últimos 13 milhões de anos, conforme a Terra esfriava, os “hiatos” (nome dado a pequenas falhas nas camadas sedimentares) se tornavam menos frequentes. Em outras palavras, a velocidade de processos naturais, como a erosão, ficou bem mais lenta lá embaixo.

Comparativamente, o período seguinte ao resfriamento da Terra, onde a temperatura média do planeta veio a aumentar, mostrou que os movimentos do oceano eram bem mais intensos e menos espaçados entre si. Naquela época, a Terra estaria entre três e quatro graus Celsius (3ºC – 4ºC) mais quente do que hoje.

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