Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 14 de fevereiro de 2026 · 2 min de leitura ·

O brilho do perigo: por que o glitter é o vilão do Carnaval

O brilho do perigo: por que o glitter é o vilão do Carnaval

É sábado de Carnaval no Brasil: confetes, serpentinas e muito brilho tomam as ruas. Mas o glitter, mesmo encantador aos olhos, traz um risco sério: seus microplásticos, que medem apenas frações de milímetro, seguem por bueiros e rios até os oceanos, aumentando a poluição plástica que ameaça a vida marinha e os ecossistemas aquáticos.

Estudos demonstram que eventos festivos podem aumentar significativamente a presença desses microplásticos em rios, como foi observado no Rio Paraíba do Sul em 2023, onde fragmentos de glitter foram detectados meses após o Carnaval, indicando que essas partículas se dispersam facilmente nos cursos d’água e na natureza.

De acordo com uma pesquisa conduzida por uma equipe da Escola de Ciências Naturais do Trinity College, em Dublin, na Irlanda, e publicada na revista Environmental Sciences Europe no ano passado, no ambiente marinho, glitter feito de politereftalato de etileno (PET) pode atuar como ponto de nucleação para a formação de cristais de carbonato de cálcio, alterando processos naturais de biomineralização essenciais para organismos como corais, moluscos e ouriços‑do‑mar que dependem da deposição estável desse mineral para construir suas conchas e esqueletos. 

Essa interferência pode comprometer o crescimento e a integridade estrutural dessas espécies, afetando a base das cadeias alimentares costeiras. Além disso, o próprio glitter pode se fragmentar em partículas ainda menores, facilitando sua ingestão por uma ampla gama de organismos marinhos.

Os microplásticos de glitter também prejudicam microrganismos e plantas, interferindo em processos como a fotossíntese e o crescimento de cianobactérias, essenciais para manter ecossistemas inteiros. Segundo um estudo feito por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), a presença contínua dessas partículas levanta preocupação toxicológica, já que podem conter metais ou adsorver poluentes, ampliando os riscos para a biodiversidade e a saúde de rios, estuários e outros ecossistemas.

Mas será que é possível curtir o Carnaval com brilho sem prejudicar o meio ambiente? Alternativas ao glitter tradicional incluem versões feitas de celulose de plantas, que se degradam mais rápido na natureza e não viram microplásticos.

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