Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 3 de agosto de 2025 · 2 min de leitura ·

O “lêmure voador” que não voa e nem é lêmure

O “lêmure voador” que não voa e nem é lêmure

Ele não voa, não é lêmure e ainda assim é chamado de “lêmure voador”. O colugo, um mamífero do Sudeste Asiático, desliza entre árvores com tanta habilidade que parece ter saído de um filme de super-herói. Curiosamente, seus parentes mais próximos são os primatas, como os macacos e os humanos.

Ele pode planar por até 100 metros usando uma espécie de “asa” natural: uma membrana de pele que vai do pescoço até as pontas dos dedos e do rabo. Essa estrutura, chamada de patágio, transforma o corpo do colugo numa espécie de paraquedas vivo, permitindo que ele se desloque sem nunca tocar o chão.

Apesar da aparência estranha, olhos enormes, patas longas e dentes que lembram pentes, o colugo é um animal extremamente adaptado. Herbívoro, se alimenta de folhas, flores e seiva, e passa quase toda a vida no alto das árvores.

Durante o dia, o colugo quase não se move. Ele se agarra ao tronco das árvores com tanta firmeza que passa despercebido até por olhos atentos. Uma estratégia eficaz contra predadores como cobras e aves de rapina.

Apesar de parecer um bicho solitário, o colugo é um cuidadoso “pai” (ou melhor, “mãe”). As fêmeas carregam seus filhotes grudados no corpo, usando a pele que vai de seus braços às pernas como se fosse uma rede ou bolsa natural. Essa espécie de “berço” mantém os filhotes quentinhos e seguros até que eles estejam prontos para começar a planar sozinhos.

Pouca gente já viu um colugo ao vivo. Discreto, noturno e silencioso, ele vive em florestas tropicais cada vez mais ameaçadas pelo desmatamento. Para os cientistas, preservar esse animal é como guardar uma página importante do livro da evolução.

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