
Por décadas, a visão dominante entre astrônomos era a de que a superfície de Marte congelou há cerca de três bilhões de anos e permaneceu assim desde então — cenário em que qualquer água líquida teria sido aprisionada no subsolo ou perdida para o espaço há muito tempo. Uma nova análise de dados do rover Zhurong, da China, coloca essa premissa em xeque.
Pesquisadores liderados por Jiacheng Liu, da Universidade de Hong Kong, reexaminaram dados coletados pelo Zhurong e encontraram evidências que contradizem essa teoria.
Se as interpretações da equipe estiverem corretas, elas indicariam a presença de cristais minerais que só poderiam ter se formado em água parada sobre uma área do solo marciano muito mais jovem do que qualquer estimativa anterior. O estudo foi publicado na Nature Astronomy.
O rover Zhurong pousou em Utopia Planitia, vasta planície no hemisfério norte de Marte, em maio de 2021. Durante 93 dias, coletou dados sobre a superfície marciana antes de ter sua missão interrompida por uma tempestade de poeira em 2022.
Nesse período, as câmeras do rover fotografaram rochas planas e brilhantes emergindo da areia, e seus instrumentos registraram leituras que sugeriam que essas rochas eram ricas em minerais contendo água. Com base apenas nas imagens, porém, os pesquisadores não conseguiram determinar com precisão a composição mineral das rochas.
Se as medições da equipe forem precisas, elas indicariam que água líquida na superfície de Marte pode ter persistido centenas de milhões de anos mais tarde do que a maioria dos modelos científicos prevê. Como cristais de selenita podem selar pequenas bolsas do líquido em que se formaram, eles poderiam preservar um registro químico desse ambiente antigo.
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