
Em termos de evolução, os chimpanzés são os parentes mais próximos dos humanos. Entretanto, uma simples olhada para eles e para nós já mostra que, de uma forma geral, somos bem diferentes. De acordo com um novo estudo, isso pode ter a ver com uma “parte esquecida” do nosso DNA.
Especialistas em pesquisas com células-tronco da Universidade de Lund, na Suécia, identificaram um pedaço de nosso DNA que não era exatamente desconhecido, mas era comumente ignorado. Chamado de “DNA não codificado”, ele basicamente explica porque o cérebro dos primatas é tão diferente dos cérebros humanos.
“Ao invés de estudarmos chimpanzés e humanos vivos, nós usamos células-tronco cultivadas em laboratório. Essas células foram reprogramadas com base em células epiteliais [da pele] fornecidas por parceiros na Alemanha, EUA e Japão. Depois, nós examinamos as células-tronco que se tornaram células cerebrais”, disse Johan Jakobsson, Professor de Neurociência da instituição e autor primário do estudo.
Por definição, células-tronco são a matéria-prima do corpo. São delas que vêm todas as células específicas para as várias funções do organismo (ou “células-filhas”). Nas condições corretas, as células-tronco podem formar outros tipos de células, direcionando-as a áreas específicas do corpo. Nenhum outro tipo tem essa capacidade.
Usando as células-tronco desenvolvidas em laboratório, Jakobsson e seu time criaram células cerebrais de chimpanzés e humanos, estudando as diferenças de cada um ao longo de todo o processo de formação. E eles perceberam que uma parte específica do DNA compartilhado entre as duas espécies é usada de forma diferente, dependendo de quem estamos falando.
No meio científico, essa parte era até então referida como “sucata de DNA” e, basicamente, consiste em uma longa cadeia que se repete por toda a sua estrutura e que, segundo pensávamos, não tinha nenhuma função. Por causa disso, cientistas e biólogos que já estudaram esse assunto no passado tinham o hábito de pesquisar apenas as cadeias do nosso DNA que formam as proteínas essenciais – o que contempla apenas 2% do nosso genoma – ignorando o restante.
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