
Quando furacões de grandes proporções tocam o solo, os resultados são amplamente notáveis: árvores arrancadas, casas destruídas e outras devastações. No entanto, o que ocorre sob as ondas nos ambientes marinhos nem sempre é tão evidente.
Frequentemente atingida por furacões, a península da Flórida, nos EUA, abriga uma vasta diversidade de vida marinha, que inclui recifes de coral, pântanos temperados e prados de ervas marinhas no chamado panhandle (uma espécie de cabo localizado na costa noroeste do estado).
De acordo com Melissa May, professora assistente de biologia marinha da Universidade da Costa do Golfo da Flórida, a reação desses ecossistemas e de seus habitantes aos furacões varia significativamente. “E nem todos os furacões têm os mesmos efeitos”.
Segundo ela, uma maré de tempestade – aumento repentino do nível do mar causado por ventos intensos e a baixa pressão atmosférica – pode deixar algumas áreas marinhas praticamente intactas durante a passagem do furacão. No entanto, as consequências do evento podem ser devastadoras, incluindo mudanças na salinidade e a proliferação de bactérias e sedimentos invasores.
Furacões são capazes de gerar ondas impressionantes de até 20 m de altura, que misturam água fria das profundezas com a água superficial mais quente. As correntes marítimas associadas a esses fenômenos podem revirar sedimentos até 90 m de profundidade.
Muitas espécies marinhas, como mamíferos e peixes, têm a capacidade de buscar águas mais profundas e calmas para se abrigar durante um furacão. Tubarões-de-ponta-preta, por exemplo, foram observados deixando a área antes da chegada de uma tempestade tropical e retornando após cinco a 13 dias. Essa movimentação pode ser influenciada por mudanças na pressão barométrica e na temperatura da água.
Entre para comentar.