Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 2 de julho de 2021 · 2 min de leitura ·

O Telescópio Espacial Hubble e a foto mais importante da humanidade

O Telescópio Espacial Hubble e a foto mais importante da humanidade

Se um dia a Nasa lhe desse o controle do mais potente telescópio já construído, que parte do Universo você gostaria de fotografar? Para a maioria de nós, as primeiras coisas que vem à cabeça são planetas, galáxias distantes e belas nebulosas. Mas no final de 1995, Robert Williams resolveu utilizar grande parte do seu tempo no Telescópio Espacial Hubble para fotografar o “nada”. E o resultado foi o que hoje é considerada a foto mais importante da humanidade.

Desde que o Hubble entrou em operação em 1993, seu tempo de uso é disputadíssimo entre os mais importantes astrônomos do planeta. Mas, na condição de diretor do Instituto de Ciência do Telescópio Espacial, Williams tinha garantido um tempo de observação que normalmente era atribuído como prêmio a astrônomos com projetos relevantes para a Ciência. Só que no Natal de 1995, ele resolveu utilizar seu tempo para fazer um registro de uma região do céu onde parecia não haver absolutamente nada.

Um espaço vazio na direção de Ursa Maior, distante do plano da Via Láctea e do Sistema Solar. Uma área tão pequena quanto uma moeda a 25 metros de distância, e livre de planetas, asteroides, estrelas da nossa galáxia e galáxias próximas. E foi justamente nessa direção que o Hubble foi apontado por 10 longos dias, captando ininterruptamente os fótons vindos das regiões mais profundas do Universo.

Embora houvesse um grande risco daquelas imagens revelarem um espaço vazio e escuro, os astrônomos imaginavam que elas pudessem nos mostrar as luzes opacas de galáxias distantes. Mas quando o Telescópio Espacial encerrou sua mais longa tarefa até então, e começou a enviar as imagens, mudou para sempre a compreensão humana acerca do Universo.

Naquela pequena área do céu, onde muitos imaginariam não haver nada, o Hubble havia registrado mais de 3 mil galáxias, algumas tão distantes que sua luz viajara por cerca de 13 bilhões de anos antes de atingir os sensores do telescópio espacial. Pela primeira vez, estávamos enxergando objetos quase tão antigos quanto o próprio Universo.

A foto ficou conhecida como Hubble Deep Field e foi, por muito tempo, a imagem mais profunda do Universo captada pela humanidade. Em 2004, após a modernização dos seus sensores, o Telescópio Espacial Hubble fez uma nova e ainda mais profunda imagem, registrando mais de 10 mil galáxias numa pequena área próxima à Constelação de Órion. Essa era a Hubble Ultra Deep Field.

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