Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de julho de 2025 · 2 min de leitura ·

Objetos escondidos no centro da Via Láctea podem revelar a natureza da matéria escura

Objetos escondidos no centro da Via Láctea podem revelar a natureza da matéria escura

Cientistas encontraram uma nova pista para desvendar um dos maiores mistérios do Universo: a matéria escura. Um artigo aceito para publicação no Journal of Cosmology and Astroparticle Physics descreve pela primeira vez objetos curiosos no centro da Via Láctea que podem estar diretamente ligados a esse tipo invisível de matéria. 

Conduzido por pesquisadores do Reino Unido e dos EUA, o estudo propõe usar o Telescópio Espacial James Webb (JWST), da NASA, para buscar sinais desses corpos celestes, apelidados de “anãs escuras”.

Esse nome não tem a ver com falta de brilho. As anãs escuras brilham, sim, mas de forma diferente. Segundo a pesquisa, esses objetos seriam aquecidos não por fusão nuclear, como acontece com estrelas comuns, mas pela energia liberada pela interação da matéria escura acumulada dentro deles.

“Acreditamos que 25% do Universo seja composto por um tipo de matéria que não emite luz, tornando-a invisível aos nossos olhos e telescópios. Nós a detectamos apenas por meio de seus efeitos gravitacionais. É por isso que a chamamos de matéria escura”, explica Jeremy Sakstein, professor de física da Universidade do Havaí e um dos autores do estudo, em um comunicado. Apesar de décadas de investigação, ninguém sabe exatamente do que ela é feita.

Entre as principais explicações estão as chamadas WIMPs (sigla para Partículas Massivas de Interação Fraca). Essas partículas seriam invisíveis porque não reagem com a luz nem com forças eletromagnéticas. Mesmo assim, elas influenciam o movimento de galáxias e outros corpos cósmicos por meio da gravidade. Segundo Sakstein, se essas partículas realmente existirem, elas podem se acumular dentro de estrelas.

Estrelas comuns, como o Sol, geram energia por fusão nuclear: seus núcleos atingem temperaturas altíssimas, fundindo átomos e liberando luz. Já as anãs escuras teriam uma massa tão pequena, de cerca de 8% da massa solar, que não alcançariam as condições para a fusão. No entanto, se estivessem cercadas por matéria escura, poderiam absorvê-la e transformar essa energia em calor, tornando-se visíveis.

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