Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 7 de junho de 2025 · 2 min de leitura ·

Oceanos enfrentam tripla ameaça, segundo estudo

Oceanos enfrentam tripla ameaça, segundo estudo

Um estudo inédito mapeou a frequência e a intensidade de um evento extremo triplo que está assolando o Atlântico Sul. O oceano é ameaçado por uma combinação de ondas de calor marinhas, escassez de clorofila e acidificação acentuada do mar.

Segundo os pesquisadores, este tipo de fenômeno era praticamente inexistente há cerca de 20 anos. Isso sugere que as mudanças climáticas impulsionadas pela atividade humana são as causadoras do problema analisado.

Apesar do fenômeno triplo passar a ocorrer praticamente todo ano, o período entre o verão e o outono de 2020 chamou a atenção dos cientistas. Nos arredores de Rio do Fogo, município litorâneo do Rio Grande do Norte, o aquecimento das águas levou ao branqueamento de 85% dos corais duros e de 70% de zoantídeos, animais com corpo geralmente mais mole que habitam recifes.

A água atingiu 32°C, quando o normal é 28°C. Várias espécies de coral da região apresentam um limite termal médio de 29,7°C. Quando expostas a temperaturas acima desse patamar, elas começam a sofrer danos biológicos importantes.

Os pesquisadores alertam que os distúrbios climáticos intensos podem afetar a pesca, por exemplo. Águas mais quentes e ácidas aumentam a mortalidade de espécies marinhas. Já a menor presença de clorofila no mar prejudica a realização de fotossíntese em plantas e algas, o que diminui o alimento disponível para muitos organismos marinhos.

Para confirmar a ocorrência de um evento triplo, é necessário que cada um dos três fenômenos extremos citados se sobreponha simultaneamente em pelo menos 1% da área analisada. Os resultados deste novo trabalho podem ajudar na criação de projetos de conservação oceânica.

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