Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 10 de setembro de 2025 · 2 min de leitura ·

Ondas gravitacionais permitem medição inédita do “chute” de um buraco negro

Ondas gravitacionais permitem medição inédita do “chute” de um buraco negro

Um artigo publicado nesta terça-feira (9) na revista Nature Astronomy relata um feito inédito na ciência: pela primeira vez, pesquisadores conseguiram medir a velocidade e a direção do recuo de um buraco negro recém-nascido, formado pela fusão de outros dois – um dos eventos mais violentos e misteriosos do Universo. 

Para chegar a esse resultado, os cientistas recorreram às ondas gravitacionais (OGs), ondulações no espaço-tempo previstas por Albert Einstein em 1916. Elas se espalham pelo Universo na velocidade da luz, carregando informações sobre fenômenos extremos, como fusões de buracos negros e explosões de supernovas. 

Embora conhecidas na teoria há mais de um século, as OGs só puderam ser detectadas de fato em 2015, graças a equipamentos ultrassensíveis como o Observatório de Ondas Gravitacionais por Interferometria a Laser (LIGO), nos EUA, e o interferômetro Virgo, na Europa.

Desde então, mais de 300 eventos já foram registrados. Cada um deles trouxe novos dados sobre como buracos negros nascem, crescem e interagem. Um dos efeitos mais impressionantes dessas fusões é o recuo: quando as OGs são emitidas de forma desigual, o buraco negro resultante é “chutado” para longe, em alguns casos a velocidades altíssimas – suficientes até para escapar da própria galáxia onde se formou.

Foi exatamente isso que os cientistas da Universidade de Santiago de Compostela (USC), na Espanha, em colaboração com colegas da Universidade Estadual da Pensilvânia (PSU), nos EUA, e da Universidade Chinesa de Hong Kong (CUHK), conseguiram medir. Eles analisaram o evento GW190412, detectado em 2019, que envolveu a fusão de dois buracos negros de massas diferentes. Pela primeira vez, determinaram não só a velocidade do recuo, mas também sua direção em relação à Terra.

Segundo os pesquisadores, as OGs funcionam como uma espécie de assinatura única. Dependendo de onde o observador está em relação ao fenômeno, os sinais chegam de forma diferente. Essa variação permitiu calcular o movimento tridimensional do buraco negro após a fusão. No caso do GW190412, o recuo foi superior a 50 km/s, que é rápido o bastante para expulsar o objeto de um aglomerado estelar.

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