Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 5 de novembro de 2021 · 2 min de leitura ·

ONU quer criar normas globais para uso do espaço e evitar “guerra nas estrelas”

ONU quer criar normas globais para uso do espaço e evitar "guerra nas estrelas"

Com o crescente volume de nações ampliando seu poderio espacial com o envio de satélites militares à órbita, a Organização das Nações Unidas (ONU) propôs na última segunda-feira (1) que sejam criadas normas globais para uso do espaço, a fim de se evitar possíveis atritos que levem a uma “guerra nas estrelas”.

A ação, liderada por um grupo de diplomatas da ONU, representa o primeiro esforço para criar uma série de normas de conduta espacial em mais de 50 anos, quando foi criado o “Tratado do Espaço Sideral” em 1967.

“Existe um consenso de que, se nós não fizermos isso do jeito certo, vamos destruir o ambiente espacial”, disse David Edmondson, líder da Política de Segurança Espacial e Ameaças Avançadas do Reino Unido, país que liderou a iniciativa. “Se nós errarmos aqui, estaremos arriscando a entrada em conflitos, porque neste momento, as pessoas [envolvidas no setor aeroespacial] não têm regras para se basearem. Então é isso que precisamos criar, mas vai levar tempo”.

Recentemente, o evento COP26 da ONU, em Glasgow, Escócia, promoveu uma votação para o “Primeiro Comitê das Nações Unidas” – em relação à propostas internacionais de segurança internacional e desarmamento, com aprovação massiva: 163 votos a favor, oito contrários e nove abstenções – surpreendentemente, os EUA estão entre os apoiadores, mesmo que seu investimento no setor militar seja não só o maior do mundo, mas também esteja acima do valor somado dos outros nove países do “top 10”.

Tais propostas incluem a criação de um grupo internacional da organização que se encontrará duas vezes por ano em Genebra, na Suíça, em 2022 e 2023. Nesses dois anos, a ordem do grupo da ONU será a de chegar em um consenso sobre regras de conduta no espaço, além de identificar pontos pendentes de maiores investigações para o futuro.

Considerando o apoio praticamente irrestrito que a proposta teve nessa primeira votação, Edmonson espera que o assunto também deverá ser aprovado na votação da Assembleia Geral da ONU, em dezembro.

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