Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de dezembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Os homens vão desaparecer? Cromossomo Y dos mamíferos corre risco de extinção

Os homens vão desaparecer? Cromossomo Y dos mamíferos corre risco de extinção

Um estudo recente mostrou que o cromossomo Y dos seres humanos pode desaparecer daqui alguns milhões de anos e os cientistas ainda não sabem muito bem quais as implicações dessa situação. O sexo dos mamíferos é determinado pela presença de um par de cromossomos X ou pela presença de um cromossomo X e outro Y. Esta última configuração é a que determina o sexo masculino.

Enquanto o cromossomo X contém cerca de 900 genes responsáveis por desempenhar diversos tipos de atividades não relacionadas ao sexo, o cromossomo Y contém cerca de 55 genes e muito DNA não codificante, ou seja, que não é lido e não é expresso. Porém, o cromossomo Y detém o gene que inicia o desenvolvimento masculino no embrião.

Aproximadamente 12 semanas após a concepção, este gene começa a estimular uma cadeia de interações que proporcionam o desenvolvimento dos testículos, que são estruturas responsáveis por produzir hormônios os masculinos, como a testosterona e seus derivados. São esses hormônios que conferem as características masculinas dos meninos.

É claro que esse sistema não é fechado e muitas alterações podem acontecer. O ornitorrinco da Austrália, por exemplo, é um mamífero cujos cromossomos sexuais são mais parecidos com os das aves. Nesse animal, o par XY é apenas um cromossomo comum, com dois membros iguais.

Isso significa que provavelmente, ao longo dos 166 milhões de anos que separam os ornitorrincos dos seres humanos, o cromossomo Y perdeu boa parte dos seus 900 genes, o que significa uma perda de cerca de cinco genes a cada milhão de anos. Se continuar nesse ritmo, os últimos 55 genes desaparecerão nos próximos 11 milhões de anos. O possível desaparecimento do cromossomo Y não é um consenso científico. Há quem acredite que ele durará eternamente, enquanto houver espécie humana.

Felizmente, um fato semelhante já aconteceu com dois ramos de roedores e eles sobreviveram para contar a história. O rato espinhoso, um dos grupos afetados, desenvolveu um novo gene determinante para os machos.

Compartilhe