
Um leilão nos EUA está oferecendo uma das formas mais raras de ouro existentes no mundo: o ouro cristalino. Diferentemente das pepitas comuns, esse tipo preserva a estrutura original, formada em condições extremamente específicas nas profundezas da Terra.
Representando apenas 1% do ouro de todo o planeta, o ouro cristalino se forma em rachaduras profundas da crosta terrestre, quando temperatura, pressão e química se combinam de maneira exata. O resultado são cristais que podem assumir formas cúbicas, octaedros ou estruturas ramificadas, semelhantes a galhos de árvore.
Na maioria dos casos, o ouro sofre desgaste ao longo do tempo, sendo moldado pela erosão até se tornar pepitas arredondadas. As peças cristalinas, no entanto, são as que escaparam desse processo, preservando sua forma original. Essa raridade as torna ainda mais valiosas, muitas vezes sendo vendidas por valores superiores ao do próprio peso em ouro.
O exemplar colocado em leilão pela Heritage reforça essa exclusividade. Com lance mínimo de US$150 mil (cerca de R$815 mil), a pepita pesa 1,7 kg e mede mais de 14 centímetros. Segundo a descrição no site da casa de leilão, a peça, que foi encontrada na Austrália Ocidental, possui dobras metálicas que lembram folhas sobrepostas, dando um aspecto artístico natural.
A história do ouro cristalino também guarda recordes impressionantes. O maior exemplar conhecido é a chamada Joia da Coroa de Ironstone, descoberta em 1992 pela Sonora Mining Company. Com 16,4 kg, a peça estava incrustada em quartzo e precisou de ácido para ser revelada como uma enorme massa única de ouro cristalino.
Embora raro na natureza, esse tipo de formação também pode ser produzido artificialmente. Cientistas já criaram ouro cristalino em laboratório, utilizando técnicas que envolvem reações nucleares, aceleradores de partículas e até simulações das condições extremas presentes em explosões de supernovas.
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