Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de fevereiro de 2025 · 2 min de leitura ·

Partícula fantasma de energia recorde desafia explicações científicas

Partícula fantasma de energia recorde desafia explicações científicas

Cientistas detectaram a partícula fantasma mais energética já observada, conforme relatado em um artigo publicado nesta quarta-feira (12) na revista Nature. Trata-se de um neutrino que viajou quase à velocidade da luz e possui 30 vezes mais energia que qualquer outro já registrado. Essa descoberta fornece a primeira evidência concreta de que neutrinos com energias tão altas podem ser produzidos no Universo.

A origem desse neutrino ainda é desconhecida, mas os pesquisadores acreditam que ele veio de fora da Via Láctea. Entre os principais candidatos estão 12 blazares – núcleos ativos de galáxias que abrigam buracos negros supermassivos e emitem jatos de partículas altamente energéticas apontados diretamente para a Terra. 

A partícula foi detectada em 13 de fevereiro de 2023 pelo Telescópio de Neutrinos de Quilômetro Cúbico (KM3NeT), localizado a 3.450 metros de profundidade no Mar Mediterrâneo. Durante o evento, identificado como KM3-230213A, um múon gerado pelo impacto do neutrino cruzou o detector submarino, ativando um terço dos seus milhares de sensores ópticos. Essa luz foi o indício que permitiu a identificação da partícula.

“Este neutrino provavelmente tem origem cósmica e possui uma energia em uma região completamente inexplorada”, afirmou Paschal Coyle, do Centro Nacional Francês de Pesquisa Científica, em entrevista coletiva na terça-feira (11). Ele destacou que sempre que novas fronteiras energéticas são abertas na física, há potencial para descobertas inesperadas.

Neutrinos são chamados de “partículas fantasmas” porque interagem muito pouco com a matéria. Cerca de 100 trilhões deles atravessam o corpo humano a cada segundo sem deixar vestígios. Trata-se da segunda partícula mais abundante do Universo, atrás apenas dos fótons. Sua detecção é extremamente difícil, exigindo instrumentos subterrâneos ou subaquáticos para evitar interferências.

“Os neutrinos são partículas elementares misteriosas: não possuem carga elétrica, têm massa quase nula e interagem fracamente com a matéria”, explicou Rosa Coniglione, integrante do KM3NeT, na coletiva de imprensa. Segundo ela, essas partículas carregam informações valiosas sobre os eventos cósmicos mais extremos, funcionando como “mensageiros” de processos invisíveis no Universo.

Compartilhe