Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 18 de janeiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Pedras e ossos de 45 mil anos mudam parte da história do Homo sapiens

Pedras e ossos de 45 mil anos mudam parte da história do Homo sapiens

Novas análises apontaram que artefatos encontrados no sítio arqueológico Shiyu, no nordeste da China, datam de aproximadamente 45 mil anos atrás. Isso faz dos artefatos – fragmentos de ossos e rochas – as evidências mais antigas do “homem moderno” (o Homo sapiens) na Ásia Central.

As análises provocam novas interpretações sobre os artefatos culturais encontrados em Shiyu. “O local reflete um processo de creolização cultural – o contato entre sociedades e povos realocados – misturando traços herdados com inovações, complicando assim o entendimento tradicional da expansão global do Homo sapiens”, explica o arqueólogo Francesco D’Errico, da Universidade de Bordeaux (França).

Shiyu é conhecido há décadas como um local importante para a arqueologia. Foi habitado por um longo tempo – a sequência sedimentar tem 30 metros de profundidade, e as camadas ali foram depositadas ao longo de dezenas de milhares de anos. Enterrados no sedimento, os arqueólogos encontraram uma rica variedade de ferramentas e artefatos feitos e usados ​​pelos povos que viveram lá.

Estabelecer quem eram essas pessoas e quanto tempo viveram lá tem sido um projeto contínuo. As primeiras escavações, em 1963, renderam milhares de objetos: 15 mil artefatos de pedra, milhares de pedaços de osso e dentes e um único fóssil de hominídeo – um pedaço de osso de crânio identificado como pertencente ao Homo sapiens. No entanto, a maior parte desta, digamos, coleção acabou perdida, incluindo o fragmento de crânio.

Em 2013, os cientistas realizaram outra escavação. Liderada pela paleoantropóloga Shi-Xia Yang, da Academia Chinesa de Ciências, uma equipe multidisciplinar internacional trabalha para caracterizar o local em detalhes. Eles selecionaram um grande número dos artefatos disponíveis e os analisaram de perto. 

Além de estudarem ossos de animais encontrados no local, realizaram novas análises de datação. Eles usaram técnicas de radiocarbono e luminescência opticamente estimulada para datar com precisão amostras retiradas de diferentes seções da sequência sedimentar.

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