Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de junho de 2026 · 2 min de leitura ·

Pela primeira vez, é identificado o gás formador de estrelas em galáxias do universo primitivo

Pela primeira vez, é identificado o gás formador de estrelas em galáxias do universo primitivo

Pesquisadores liderados pela Universidade de Chiba, no Japão, anunciaram a detecção direta de gás neutro associado à formação de estrelas em quatro galáxias observadas entre 700 milhões e 800 milhões de anos após o Big Bang. O resultado foi obtido com o uso do radiotelescópio ALMA e descrito em estudo publicado hoje, segunda-feira (15), no The Astrophysical Journal.

A descoberta permite investigar com mais precisão a matéria-prima responsável pelo surgimento de novas estrelas em um período muito remoto da história cósmica. Até agora, a observação direta desse componente permanecia limitada, mesmo com os avanços proporcionados por alguns dos instrumentos astronômicos mais sofisticados da atualidade.

Os cientistas alcançaram esse resultado ao identificar um sinal emitido por átomos de oxigênio neutro, considerado um marcador mais confiável para localizar o gás envolvido nos processos de formação estelar. A estratégia também ajudou a separar diferentes tipos de emissões presentes nessas galáxias distantes.

Compreender como as primeiras galáxias cresceram é um dos desafios centrais da astronomia moderna. Embora telescópios espaciais tenham conseguido registrar estrelas e gases aquecidos em sistemas muito distantes, a identificação direta do gás neutro, que funciona como combustível para o nascimento estelar, continuava sendo um obstáculo para os pesquisadores.

Para superar essa limitação, a equipe concentrou suas observações na chamada linha de emissão [O I] de 145 micrômetros. Diferentemente de outros sinais frequentemente empregados em estudos do universo distante, essa assinatura está associada diretamente ao gás neutro, oferecendo uma visão mais precisa das regiões onde novas estrelas podem surgir.

Os pesquisadores complementaram a investigação com a análise da linha de emissão [N II] de 205 micrômetros, relacionada exclusivamente ao gás ionizado. A comparação entre os dois sinais permitiu distinguir a origem das emissões registradas e reforçou a interpretação de que grande parte do material observado estava concentrada em regiões neutras.

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