
Um artigo disponível no servidor de pré-impressão arXiv, que aguarda revisão por pares para publicação, descobriu algo surpreendente sobre um sistema observado na Via Láctea pelo satélite Gaia, da Agência Espacial Europeia (ESA). Uma estrela parecida com o Sol foi vista pela espaçonave orbitando um suposto buraco negro, que, na verdade, pode ser algo muito mais exótico.
Segundo o novo estudo, a companheira escura seria uma estrela bóson: uma estrela composta inteiramente de matéria escura.
Mapas detalhados de mais de um bilhão de estrelas na Via Láctea foram obtidos pela pesquisa Gaia. Embora quase todas elas tenham se comportado como previsto, esse caso, em específico, chamou a atenção.
A estrela propriamente dita é bem típica, com quase o mesmo peso e aproximadamente a mesma abundância química do nosso Sol. Como sua companheira não emitia nenhuma radiação, a maioria dos astrônomos acreditava se tratar de um buraco negro, o que poderia facilmente explicar o resultado observacional.
No entanto, a nova pesquisa, conduzida pelos pós-doutorandos em física Alexandre M. Pombo e Ippocratis D. Saltas, do Instituto Central Europeu de Cosmologia e Física Fundamental, na República Tcheca, apontou que essa configuração em particular é altamente incomum.
Segundo os autores, os buracos negros se formam a partir da morte de estrelas muito massivas, e é improvável que uma estrela como o nosso Sol se forme como parte de um par binário com uma estrela tão massiva. Por isso, eles sugerem que a explicação mais plausível é que o companheiro escuro não seja um buraco negro, mas uma estrela bóson.
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