Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 4 de abril de 2022 · 2 min de leitura ·

Pesquisa identifica ‘alcoolismo’ em macacos – e isso diz muito sobre os humanos

Pesquisa identifica ‘alcoolismo’ em macacos - e isso diz muito sobre os humanos

Ao analisar as dietas de macacos-aranha de mãos pretas (Ateles geoffroyi) no Panamá, pesquisadores descobriram que as frutas de palma que esses animais comem regularmente contêm pequenas doses de etanol.

Amostras de urina de dois dos macacos-aranha também revelaram metabólitos específicos do etanol, o que sugere que o álcool não está apenas passando por seus corpos, e sim está sendo absorvido e utilizado de alguma forma.

“Pela primeira vez, pudemos mostrar, sem sombra de dúvida, que primatas selvagens, sem interferência humana, consomem frutas contendo etanol”, disse a primatóloga Christina Campbell, da Universidade Estadual da Califórnia, autora da pesquisa, que foi publicada na Royal Society Open Science. “Este é apenas um estudo, e mais precisa ser feito, mas parece que pode haver alguma verdade nessa hipótese de ‘macaco bêbado’”.

A hipótese do macaco bêbado foi apresentada pela primeira vez pelo biólogo da UC Berkeley Robert Dudley, em 2000. Ele afirma que a forte atração que os macacos mostram ao cheiro e ao sabor do etanol é uma vantagem evolutiva que lhes permite caçar frutas maduras, devorando-as antes que outros animais possam chegar até elas.

Esse mesmo desejo por etanol existe em nossa própria espécie, mas sem o aproveitamento dos benefícios nutricionais de toda a fruta. Em vez disso, os humanos aprenderam a destilar elementos, e “o outrora vantajoso apetite por álcool” visto em nossos ancestrais primatas tornou-se agora um perigo para o nosso bem-estar.

É uma ideia interessante, mas até agora, as evidências para esta hipótese foram limitadas e principalmente anedóticas. Chimpanzés selvagens (pan troglodytes), por exemplo, foram pegos comendo seiva fermentada de palmeiras, e nessa seiva foram mais tarde encontradas concentrações de etanol de quase 7%. No entanto, não está claro se o etanol em si está atraindo os chimpanzés para a fruta.

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