Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 26 de maio de 2025 · 2 min de leitura ·

Pinguins podem ajudar a combater o aquecimento da Antártida com… cocô

Pinguins podem ajudar a combater o aquecimento da Antártida com… cocô

Uma pesquisa recém-publicada na revista Communications Earth & Environment encontrou um novo aliado na luta contra o aquecimento da Antártida: cocô de pinguim. Cientistas descobriram que os excrementos dessas aves liberam amônia, um gás que ajuda na formação de nuvens sobre o continente gelado. Essas nuvens funcionam como um “guarda-sol”, bloqueando parte da radiação solar e ajudando a manter a região mais fria.

O estudo foi liderado por Matthew Boyer, cientista atmosférico da Universidade de Helsinque, na Finlândia. À agência de notícias AFP, ele explicou que a amônia já era conhecida por contribuir para a formação de nuvens em laboratório. O que faltava era comprovar esse efeito diretamente na atmosfera da Antártida, algo que os pesquisadores conseguiram com medições feitas no local.

A Antártida é ideal para esse tipo de observação porque tem quase nenhuma poluição e pouca vegetação, que são outras fontes comuns de gases que formam nuvens. Isso torna os pinguins as principais fontes naturais de amônia na região. No entanto, o futuro dessas aves está ameaçado pelo derretimento do gelo marinho, que afeta seus hábitos de reprodução, alimentação e proteção.

Assim como outras aves marinhas, os pinguins eliminam um tipo de fezes líquidas chamado guano, uma mistura de excrementos e urina liberada pela cloaca rica em amônia. Quando o gás se mistura com compostos de enxofre liberados pelo fitoplâncton (pequenos organismos que vivem no mar), aumenta a formação de partículas minúsculas no ar, chamadas aerossóis, essenciais para que as nuvens se formem.

Para medir esse processo, a equipe instalou equipamentos na Base Marambio, na Ilha Seymour, localizada na ponta da Península Antártica. Durante três meses de verão, época em que os pinguins estão em colônias e o fitoplâncton floresce, os cientistas monitoraram o vento, os níveis de amônia e a quantidade de aerossóis no ar.

Quando o vento soprava de uma colônia com cerca de 60 mil pinguins da espécie Pygoscelis adeliae (pinguins-de-adélia), os níveis de amônia no ar aumentavam até mil vezes em relação ao normal. Mesmo depois que os animais partiram na migração anual, a concentração de amônia continuava alta por mais de um mês, devido ao solo encharcado de guano, que funcionava como uma “fonte lenta” do gás.

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