
Um artigo publicado recentemente no periódico científico The Astrophysical Journal relata a detecção de uma anã branca consumindo fragmentos de um antigo planeta a 145 anos-luz da Terra. Denominado LSPM J0207+3331, o astro é o núcleo remanescente de uma estrela semelhante ao Sol que morreu há cerca de três bilhões de anos.
Por meio de espectroscopia com grandes telescópios no Chile e no Havaí, os cientistas membros da equipe de pesquisa identificaram a assinatura de elementos rochosos recém-depositados na atmosfera da anã branca, indicando um episódio de “canibalismo” planetário muito recente – e possivelmente ainda em curso.
O estudo oferece pistas diretas sobre o destino de sistemas planetários após a morte de suas estrelas centrais e por que esse processo pode persistir por bilhões de anos.
Depois que estrelas semelhantes ao Sol esgotam seu combustível, elas se expandem para a fase de gigante vermelha e perdem as camadas externas, deixando um núcleo denso e quente – a anã branca. Planetas internos tendem a ser engolidos, enquanto asteroides, cometas e planetas mais distantes podem escapar, mas passam a viver em um ambiente gravitacional instável, propenso a colisões e rearranjos orbitais que produzem poeira e pedaços de rocha.
No caso da anã branca LSPM J0207+3331, observações com o telescópios Magellan Baade (Chile) e o Keck I (Havaí) revelaram que um fragmento rochoso foi despedaçado pelas forças de maré da estrela. Os detritos caíram sobre ela e deixaram uma “impressão digital” química rara: alumínio, carbono, cromo, cobalto, cobre, ferro, magnésio, manganês, níquel, silício, sódio, estrôncio e titânio em proporções parecidas às de materiais terrestres.
Essa assinatura é surpreendente porque, em anãs brancas com atmosfera rica em hidrogênio, elementos pesados afundam rapidamente e desaparecem da vista. Vê-los em abundância indica alimentação recente – algo como os últimos 35 mil anos, que é um piscar de olhos em escalas astronômicas. “A quantidade de material rochoso é excepcionalmente alta para uma anã branca dessa idade”, afirma Patrick Dufour, do Instituto Trottier de Pesquisa em Exoplanetas, da Universidade de Montreal, Canadá, em um comunicado.
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