Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 8 de setembro de 2022 · 2 min de leitura ·

Planeta extraterrestre com órbita inclinada causa estranheza em cientistas 

Planeta extraterrestre com órbita inclinada causa estranheza em cientistas  

Os astrônomos descobriram que o exoplaneta, GJ 896Ab, localizado no sistema binário GJ 896AB, a cerca de 20,3 anos-luz de distância da Terra, realiza sua órbita em ângulo diferente das outras duas estrelas presentes no sistema.

As pesquisas a esse respeito são de longa data. A maior parte dos dados consultados pelos cientistas são de 1941 a 2017, e desde 2006 o Very Long Baseline Array (VLBA), uma rede que conta com 10 radiotelescópios, nos Estados Unidos, alimenta essa base de informações. Após essa descoberta, os cientistas esperam obter pistas de como esses sistemas binários se formam.

A equipe do astrônomo Salvador Curiel, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM), notou que, conforme a estrela GJ896A se movimenta pelo Espaço, ela oscila durante o percurso. Acredita-se que isso acontece porque há um centro comum de massa, conhecido como barycenter, entre o planeta e sua estrela.

Menos de 4% dos exoplanetas conhecidos estão em sistemas binários. Segundo os astrônomos, esse pequeno número, advém da dificuldade em detectar esse tipo de planeta nessa configuração, e também porque os modelos utilizados hoje pressupõem que exista uma estrela companheira no sistema capaz de romper e desestabilizar um disco formador de planetas. Para Joel Sanchez-Bermudez, da UNAM, provavelmente esse é um sinal de que “talvez esses modelos precisem ser ajustados”.

Há algumas particularidades no sistema binário GJ 896AB. As duas estrelas encontradas nele são anãs vermelhas, o que torna a existência de um planeta gigante gasoso surpreendente, isso porque os cientistas não acreditam que as anãs vermelhas detenham a quantidade necessária de matéria-prima para formar planetas gigantes. Entretanto, a presença de um gigante gasoso neste sistema binário sugere que a formação de planetas ocorre de uma maneira diferente quando há duas estrelas presentes.

Outra particularidade na formação desse sistema é que os gigantes gasosos levam de 5 a 10 milhões de anos para acertar todo o gás do disco formador de planetas ao seu redor. Os modelos vigentes sugerem que esse disco em um sistema binário sobrevive por menos de 1 milhão de anos, após esse período as marés gravitacionais da estrela companheira rompem o disco.

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