
Cientistas encontraram pistas surpreendentes no fundo dos oceanos, apontando para eventos cósmicos de impacto na Terra há milhões de anos. Isótopos radioativos encontrados em sedimentos marinhos sugerem algo mais raro e poderoso do que as conhecidas supernovas: a fusão de estrelas de nêutrons, também conhecida como kilonova.
Liderado por pesquisadores da Universidade de Trento, na Itália, o estudo revela a presença de elementos incomuns, como plutônio-244 e ferro-60, em camadas sedimentares datadas de três a quatro milhões de anos atrás. Esses elementos são frutos da explosão de estrelas, sendo o ferro comum e estável, enquanto o plutônio-244 é altamente raro e radioativo.
A descoberta desafia a ideia anterior de que tais elementos só poderiam ser originados por supernovas. Eles argumentam que a colisão entre duas estrelas de nêutrons ocorrida há milhões de anos a centenas de anos-luz da Terra é a fonte mais provável desses elementos.
Os cientistas explicam que, quando duas estrelas de nêutrons se chocam, ocorrem dois processos distintos de propagação de materiais. Isso pode ter criado a ilusão de dois eventos separados, confundindo a interpretação dos dados anteriores.
A equipe de pesquisa analisou minuciosamente o padrão de distribuição dos elementos pesados encontrados nos sedimentos. Concluíram que o plutônio se formou a partir da ejeção dinâmica, enquanto o ferro foi produzido pelo vento de onda espiral resultante da fusão estelar.
Entre os desafios dessa análise está a escassez de observações de kilonovas, o que dificulta a confirmação da teoria. Além disso, o modelo proposto indica que a Terra precisaria estar numa posição específica em relação à colisão das estrelas, recebendo materiais de determinadas latitudes.
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