
Cientistas da Universidade de Utah, nos EUA, conduziram uma análise química da Tumba de Caecilia Metella, um mausoléu de aproximadamente 2 mil anos, para descobrir o motivo que faz o concreto usado na Roma Antiga ser tão resistente.
Segundo os estudiosos, a composição do material é muito similar ao cimento utilizado atualmente (conhecido como “Cimento Portland”), no sentido de que vem do aquecimento do calcário e argila, bem como areia, cinzas, cal e ferro, em um forno. A massa resultante é então resfriada e pulverizada com leves adições de gesso. Entretanto, a argamassa usada em Roma era feita de pedaços de tijolos e rochas do tamanho de um punho.
“A constituição desse monumento histórico e inovador, localizado na Via Appia Antica, indica que Caecilia Metella era uma pessoa de alto prestígio social”, disse a geofísica e coautora do estudo, Marie Jackson. “E o concreto utilizado traz uma presença forte e resiliente mesmo depois de 2.050 anos de sua construção”.
De fato, a mulher que dá nome ao mausoléu era uma pessoa da nobreza, filha de um cônsul que, mais tarde, viria a se casar com Marco Licínio Crasso, o filho de um general que, junto de Júlio César e Cneu Pompeu Magno, formaria o chamado “Primeiro Triunvirato”.
O mausoléu foi construído em meados de 30 a.C, e consiste de uma torre em formato de tambor, posicionada sobre uma base quadrada, com medidas de 21 metros (m) de altura e 29 m de diâmetro. É tido por historiadores como um dos monumentos mais preservados dos primeiros anos da república romana, após a abolição do Império.
Jackson, que tem uma curiosidade natural da profissão sobre edificações romanas, visitou a tumba em 2006, retirando algumas amostras para estudo. Segundo ela, o dia de sua visita estava bem quente, mas o interior do mausoléu estava fresco e arejado. “Tirando os pombos ao centro da estrutura circular, a atmosfera estava bastante tranquila”, disse.
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