Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 11 de agosto de 2026 · 2 min de leitura ·

Por que o terremoto na Colômbia foi tão destrutivo?

Por que o terremoto na Colômbia foi tão destrutivo?

Um terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na última segunda-feira (10), deixando ao menos 132 mortos e provocando o colapso ou danos em milhares de imóveis. O tremor ocorreu nas proximidades de San José del Palmar, no departamento de Chocó, mas os impactos também foram registrados em cidades como Cali, Manizales e Pereira.

O abalo, identificado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos como resultado principalmente de uma movimentação horizontal entre blocos da crosta terrestre, ocorreu a cerca de 110 quilômetros de profundidade. A intensidade do evento, porém, não é apontada como a única explicação para o elevado número de estruturas afetadas.

Pesquisas experimentais sobre edificações construídas segundo práticas comuns na Colômbia indicam que determinadas características das paredes de concreto podem aumentar a vulnerabilidade dos imóveis durante um terremoto. Entre os principais problemas estão a pouca espessura das paredes, a quantidade reduzida de aço e a dificuldade de reforçar adequadamente suas extremidades.

A resistência de um edifício depende de diferentes componentes. Lajes, vigas e pilares suportam principalmente as cargas associadas ao peso da própria estrutura e ao uso do imóvel. Já as paredes de concreto armado desempenham papel importante diante de forças laterais, como as provocadas pelo vento e, em situações extremas, por terremotos.

Na construção colombiana descrita pelo pesquisador Ryan Hoult, professor de engenharia estrutural e sísmica da University of Newcastle, essas paredes frequentemente apresentam espessura entre 7 e 10 centímetros. Outra característica apontada é a utilização de apenas uma camada de armadura, muitas vezes formada por uma tela metálica soldada considerada frágil e suscetível a rupturas rápidas.

O problema não está somente na quantidade de aço. A reduzida espessura dos elementos estruturais também dificulta a adoção de um mecanismo conhecido como confinamento, no qual barras de aço dispostas nas extremidades ajudam a impedir que o concreto se esmague. Conforme a análise apresentada no estudo, esse recurso sequer é exigido pelos padrões de construção mencionados no artigo.

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