Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 12 de outubro de 2025 · 2 min de leitura ·

Por que os continentes ficam concentrados em um “lado” da Terra?

Por que os continentes ficam concentrados em um "lado" da Terra?

Um olhar mais atento para um globo terrestre revela uma curiosidade: a maior parte da terra firme do nosso planeta está concentrada em um hemisfério. Se você girar o globo para o lado do Oceano Pacífico, irá ver um mar azul quase infinito. Já do lado oposto, estão juntas as massas continentais da África, Europa e Ásia. Mas por que essa distribuição não é mais equilibrada?

A resposta está nas profundezas da Terra e em um processo geológico de escala épica: o ciclo dos supercontinentes.

De acordo com o IFL Science, a configuração atual dos continentes é, em grande parte, um capítulo contínuo da fragmentação de Pangeia, o último supercontinente a existir, que reunia quase toda a terra firme do planeta entre 336 e 175 milhões de anos atrás. A prova mais famosa desse passado unido é o encaixe quase perfeito entre as costas leste da América do Sul e oeste da África.

No entanto, Pangeia não foi um evento único. A geologia nos ensina que a cada 300 a 500 milhões de anos, as forças da deriva continental – o movimento lento mas incessante das placas tectônicas – tendem a reunir a maioria dos continentes em uma única e vasta massa de terra. Para ser considerado um supercontinente, esse aglomerado deve conter pelo menos 75% de toda a terra emersa do planeta. Embora Europa, Ásia e África estejam conectadas hoje, elas representam apenas 57% da área terrestre total, não se qualificando sozinhas como um novo supercontinente.

Este é um ciclo de abertura e fechamento. Os continentes se espalham, como vemos atualmente com a expansão do Oceano Atlântico, que afasta as Américas da Eurásia e da África. Mas, após se espalharem, as forças convectivas do manto terrestre eventualmente revertem o movimento, trazendo-os de volta para um novo e grandioso encontro.

E o que nos espera? Nos próximos milhões de anos, a tendência é de uma distribuição ligeiramente mais equilibrada. Projeções indicam que a Eurásia continuará a se mover para leste, enquanto as Américas migram para oeste, através do alargamento do Atlântico. O aglomerado atual ficará, portanto, menos denso.

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