Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 31 de janeiro de 2024 · 2 min de leitura ·

Por que se apaixonar bagunça o cérebro?

Por que se apaixonar bagunça o cérebro?

Já dizia William Shakespeare “O amor não vê com os olhos, vê com a mente; por isso é alado, e cego e tão potente.” Quem já viveu uma paixão sabe, amar pode ser bastante confuso, e às vezes é difícil até pensar direito. Mas existe uma explicação científica que explique porque se apaixonar confunde o cérebro?

Logo quando nos apaixonamos e começamos a nos relacionar com outra pessoa, entramos na fase da lua de mel, caracterizada pela novidade e excitação. Esse é um período em que tudo é empolgante em que os pombinhos mal podem se desgrudar. Porém, apesar de ser um momento mágico em que tudo parece fazer sentido, esse definitivamente não é o momento ideal para tomar decisões financeiras ou de carreira importantes.

Embora o amor romântico tenha uma história que remonta a cerca de cinco milhões de anos, desde a separação de nossos ancestrais, os grandes macacos, a ciência sabe muito pouco sobre a evolução desse fenômeno. Os antigos gregos, que filosofaram extensivamente sobre o amor, o reconheciam tanto como uma experiência incrível quanto como algo traumático. Curiosamente, o poema mais antigo já recuperado é um poema de amor. O Cântico de Amor de Shu-Sin um poema sumério é datado de aproximadamente 2000 a.C.

Em busca de respostas para entender o que acontece em nosso cérebro durante uma paixão. Cientistas australianos conduziram uma pesquisa envolvendo 1.556 jovens adultos que se autodenominavam “apaixonados”. As perguntas formuladas tinham como objetivo avaliar os sentimentos e comportamentos desses participantes em relação aos seus parceiros.

Na segunda fase do estudo, que examinou a intensidade do amor romântico inicial, apenas 812 dos participantes originais, que afirmaram estar apaixonados por no máximo dois anos, foram incluídos. Os pesquisadores buscaram investigar se o sistema de ativação comportamental (BAS), um mecanismo que promove comportamentos que podem levar a recompensas, desempenha um papel no amor romântico. Embora o BAS já tenha sido associado a diversos aspectos do comportamento humano e a condições psiquiátricas, esta foi a primeira vez que foi examinado nesse contexto específico.

Os resultados confirmaram o que muitos já experimentaram ao se apaixonar – o cérebro opera de maneira diferente, com pensamentos e ações temporariamente girando em torno do novo parceiro romântico. Os pesquisadores explicam que o BAS, sendo evolutivamente antigo, é utilizado de maneira inovadora pelo amor romântico.

Compartilhe