Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 1 de abril de 2026 · 2 min de leitura ·

Por que temos queixo? O que a ciência diz sobre esse acidente evolutivo

Por que temos queixo? O que a ciência diz sobre esse acidente evolutivo

Característica única entre os primatas, o queixo humano sempre levantou dúvidas sobre a evolução da espécie. Agora, uma nova pesquisa indica que essa condição pode não ser uma adaptação, mas uma consequência de transformações na estrutura do crânio ao longo da evolução.

O estudo publicado na revista científica PLOS One, foi liderado por Noreen von Cramon-Taubadel, professora e chefe do departamento de antropologia da Universidade de Buffalo. O grupo analisou 532 crânios e mandíbulas de humanos modernos e de espécies extintas, comparando o formato da mandíbula ao longo da evolução. Isso possibilitou entender como o queixo se formou durante o desenvolvimento humano e como sua estrutura mudou ao longo do tempo.

O queixo já foi estudado diversas vezes pela ciência. A tentativa de compreender para o que servia ou qual a condição de adaptação que levou à formação da característica eram algumas das perguntas que motivaram as pesquisas.

Nas tentativas de compreender a evolução, diversas hipóteses surgiram. Uma das mais antigas sugeria que a estrutura ajudaria a reforçar a mandíbula, oferecendo maior resistência durante a mastigação e reduzindo o impacto de forças mecânicas ao comer.

Outra teoria bastante discutida aponta que o queixo poderia ter relação com a fala, funcionando como um suporte para músculos e tecidos envolvidos na prática, já que outros “parentes próximos” na árvore evolutiva, como os chimpanzés ou espécies humanas extintas, não apresentam essa estrutura e habilidade.

Com a falta de conclusões concretas, o estudo de Noreen von Cramon-Taubadel seguiu uma linha contrária: e se o queixo não tiver uma utilização prática?

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