Julia Monteiro
Julia Monteiro
Ciência e Espaço · 15 de dezembro de 2021 · 2 min de leitura ·

Possível fim da erupção do Cumbre Vieja expõe descaso do governo com os moradores de La Palma

Possível fim da erupção do Cumbre Vieja expõe descaso do governo com os moradores de La Palma

Depois de quase três meses de tremores, explosões e dispersão de lava e cinzas, a erupção do vulcão Cumbre Vieja, nas Ilhas Canárias, pode finalmente ter chegado ao fim, segundo análises mais recentes das autoridades geológicas.

Na última segunda-feira (13), o vulcão localizado na ilha de La Palma, ao noroeste da África, completou 85 dias de atividade vulcânica, superando um recorde que perdurava há 436 anos. Desde então, porém, as atividades na região do vulcão e de sua caldeira têm sido cada vez mais reduzidas – as autoridades chegaram a dizer que as atualizações do vulcão são “negligenciáveis”.

“Nós não podemos afirmar com 100% de certeza, já que o vulcão tem nos pregado algumas peças ao longo das últimas semanas”, disse Valentin Troll, expert em geologia vulcânica pela Universidade de Uppsala (Suécia) e autor de um estudo sobre vulcanismo nas Ilhas Canárias, à Associated Press. “Entretanto, muitos de seus parâmetros parecem ter se acalmado, e eu acho que a atividade do vulcão está de fato em declínio”.

Por “peças”, Troll se refere às três ou quatro semanas mais recentes das atividades após a erupção do Cumbre Vieja: ao contrário da maioria dos vulcões – que apresentam ritmos mais ou menos previsíveis de ação -, o monte na ilha de La Palma teve altos e baixos, com momentos de pouca ou nenhuma dispersão de lava meramente antecedendo terremotos que reacendiam a sua caldeira.

Nesta quarta-feira (15), pequenas plumas de fumaça branca apareceram no vulcão, mas nada que preocupasse as autoridades locais, que disseram que “a atividade vulcânica caiu para praticamente zero”.

A erupção do Cumbre Vieja começou em 19 de setembro, rapidamente tornando-se uma das mais intensas da região (e até acendendo um alerta sobre um improvável tsunami no Brasil, que desmentimos aqui no Olhar Digital). Ao longo de três meses, mais de 3 mil edifícios foram destruídos por rios de lava e milhares de pessoas foram evacuadas e realocadas. Felizmente, os danos foram apenas às estruturas e terras e, embora exista a suspeita de uma morte, ainda está pendente a confirmação de que ela tenha relação com o evento.

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