
Uma tecnologia criada nos anos 1980, considerada por muito tempo apenas uma curiosidade teórica, está se tornando peça central na proteção de dados no mundo digital. A criptografia quântica, desenvolvida por Charles Bennett e Gilles Brassard, rendeu à dupla o Prêmio Turing, considerado o Nobel da computação.
O reconhecimento foi anunciado pela Association for Computing Machinery (ACM), que destacou a contribuição dos pesquisadores para o desenvolvimento de métodos de segurança baseados nas leis da mecânica quântica. A premiação inclui US$ 1 milhão, que será dividido entre os dois.
O The New York Times relembrou a origem da descoberta, que remonta a um encontro improvável. Bennett e Brassard se conheceram em 1979, na praia, no tempo livre durante uma conferência em Porto Rico. Em uma conversa informal no mar, surgiu a ideia de aplicar princípios da física quântica para criar uma nota bancária impossível de falsificar.
A ideia evoluiu rapidamente. Em 1983, Bennett e Brassard publicaram um artigo demonstrando as propriedades quânticas em fichas de metrô que jamais poderiam ser falsificadas, mesmo que a catraca fosse roubada. Isso levou ao conceito de criptografia quântica, no ano seguinte.
Alguns anos depois, os pesquisadores apresentaram um método inovador de criptografia que utilizava fótons (partículas de luz) para gerar chaves de segurança. O sistema, conhecido como BB84, se baseia em uma característica fundamental da mecânica quântica: qualquer tentativa de observar ou interceptar essas partículas altera seu estado. Na prática, isso permite identificar imediatamente tentativas de espionagem ou roubo.
Congratulations to Charles H. Bennett (@IBMResearch) and Gilles Brassard ( @UMontreal) on receiving the 2025 ACM A.M. Turing Award! 🔗: https://t.co/UQ5C1K1kVT pic.twitter.com/8P2OuNHP6O
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