
Em uma notícia que promete irritar muita gente e agradar outras tantas, a primeira nova espécie vegetal de 2022 recebeu o nome Uvariosis dicaprio, em homenagem ao ator norte-americano Leonardo DiCaprio (47). A espécie em questão é uma árvore de cerca de quatro metros (m) de altura, localizada na Floresta de Ebo, Camarões, onde o astro de Hollywood já praticou ativismos ambientais.
A espécie foi descoberta pela cientista Lorna MacKinnon, do Jardim Botânico Real de Kew, no Reino Unido. Em fevereiro de 2020, Leonardo DiCaprio – por meio da ONG “Re:wild”, da qual ele é um dos fundadores -, conseguiu revogar uma licença de exploração madeireira que iria desmatar boa parte da floresta. A região é a casa da Reserva Selvagem de Ebo, que seria impactada pela ação de derrubada de árvores pela iniciativa privada.
“Nós apreciamos muito o apoio que Leo nos deu durante a campanha de proteção de Ebo no ano passado [2020], então nos pareceu correto honrá-lo desta forma, nomeando uma espécie exclusiva desta floresta, com o seu nome”, disse o Dr. Martin Cheek, chefe sênior de pesquisa do Jardim. “Se a concessão tivesse seguido em frente, nós provavelmente teríamos perdido essa espécie para a extração de madeira e a agricultura de corte e queimada que normalmente segue esse tipo de permissão”.
A Floresta de Ebo é mais conhecida nos esforços pertinentes à vida selvagem, dado o número de espécies exclusivas da região, mas nem tão popular assim no que tange à proteção vegetal. A ONG Re:wild busca mudar isso e conta com diversas parcerias – como uma iniciativa global coordenada pelo zoológico de San Diego, na Califórnia, bem como o Herbário Nacional de Camarões. Há pelo menos 20 anos, a floresta vem sendo protegida por diversas organizações.
Segundo o Jardim Botânico, a Uvariosis dicaprio, com seus quatro metros e folhas amarelo-esverdeadas, é membro da família “ilangue-ilangue”, conhecida também por “cananga odorata” e pode chegar a 20 m de altura. Infelizmente, no ato de sua descoberta, a espécie de árvore já foi classificada como “em perigo crítico”, o que a coloca em risco muito alto de extinção completa. Isso porque, apesar de todos os esforços ambientais, a área onde ela cresce ainda não tem proteção ecológica perene.
Em outras palavras: uma concessão de exploração que é revogada hoje, pode ser retomada ou mesmo dar lugar a uma nova amanhã, e as decisões de protegê-la ainda não valem de forma definitiva.
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