
O que você precisa saber
Estamos testemunhando uma nova corrida espacial. E o mais bacana que a corrida de agora não é entre superpotências querendo demonstrar poder também fora da Terra. Ela está sendo levada adiante principalmente por empresas das iniciativa privada, como a SpaceX, de Elon Musk, a Blue Origin, de Jeff Bezos, e a Virgin Galactic, de Richard Branson. Os planos são ambiciosos e incluem a criação de colônias na Lua e até em Marte! E é tudo para já. Quer dizer, para os próximos 10 ou 12 anos… uma evolução quase inédita na história da exploração espacial. Fora das gigantes de tecnologia, países como Israel e a Índia também entraram nessa corrida, com as recentes tentativas de fazer pousar sondas no solo lunar. Tentativas porque, infelizmente, as iniciativas dos dois países acabaram tendo problemas nas aproximações finais, e as sondas se perderam…
Todo esse avanço parece bastante distante daqui. E, em certa medida, está mesmo. O Brasil até ensaiou alguns passos na exploração espacial, mas perdeu relevância nos últimos anos. Ainda assim, temos uma história interessante nesse quesito. Pode até parecer novidade para alguns, mas existe um departamento dedicado exclusivamente à construção de foguetes espaciais. Ele fica aqui, em São José dos Campos, a 99 km de São Paulo. Estamos no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial, o DCTA. Já as bases de lançamentos dos foguetes brasileiros ficam no nordeste: uma em Alcântara, no Maranhão, e outra em Natal, no Rio Grande do Norte, chamada Barreira do Inferno. E essa história vem de longe…
Na década de 1960, o presidente Jânio Quadros criou uma comissão nacional de atividades espaciais que deu início ao Programa Espacial brasileiro. Essa comissão tinha duas frentes: uma era responsável pelo desenvolvimento dos foguetes e outra era responsável por sua utilização. O instituto de Aeronáutica e Espaço, o IAE, criado em 1969, ficou no primeiro grupo, sendo que até hoje é o setor principal na produção de foguetes civis. Outro instituto conhecido e que faz parte do DCTA é o ITA, Instituto Tecnológico da Aeronáutica. Ele forma profissionais que também atuam nessa área.
Os primeiros foguetes produzidos no país foram os foguetes de sondagem, que servem para levar cargas úteis à atmosfera para realizar pesquisas e experiências.
Em 1967, o Sonda I deu o seu primeiro voo. Ao total, foram realizados 200 lançamentos. Ele era um foguete de sondagem de capacidade limitada. Depois, com dimensões maiores, foi criado o Sonda II. O período de desenvolvimento desse foguete se deu em 6 anos e ele chegou ao espaço 61 vezes. Ele foi um estágio anterior para o próximo foguete da família: o Sonda III. Foram 31 lançamentos e 8 anos para desenvolver o foguete. Já o Sonda IV teve o seu primeiro voo em 1984. O foguete trouxe uma novidade, comparado aos outros foguetes da família. Ele tinha grande capacidade de carga útil e era um foguete com tecnologia controlada, que significava que era possível manobrá-lo dentro da atmosfera. Depois dele, o…
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